Advogados do empresário luso-angolano Carlos São Vicente acusam Angola de “desprezar” a Organização das Nações Unidas (ONU)

Os Advogados do empresário angolano Carlos São Vicente acusaram hoje o governo angolano de “desprezar” as Nações Unidas ao ignorarem uma decisão de um grupo de trabalho do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que concluiu que a detenção do empresário angolano, atualmente a cumprir uma pena de prisão em Luanda, foi arbitrária e uma violação do direito a um julgamento justo.

Numa declaração, os advogados François Zimeray e Jessica Finelle disseram lamentar o “desprezo mostrado pelo governo de Angola para com a ONU”.

“Está a tornar-se claro que a contínua detenção ilegal de São Vicente, após três anos e meio, tem como objetivo a captura dos seus bens de um modo pejorativo”, diz a declaração.

Os advogados notam, a este respeito, que a decisão do grupo de trabalho sobre detenções arbitrárias foi anunciada em Novembro e que já em fevereiro deste ano as autoridades angolanas anunciaram a intenção de vender em hasta pública 39 hotéis dos 84 confiscados à organização empresarial de São Vicente.

A conclusão daquele organismo da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentada num documento de 16 páginas, indica que se registou uma violação no que diz respeito à sua detenção antes do julgamento e que as queixas apresentadas levantam preocupações sobre o julgamento de São Vicente, que deveria ocorrer perante um tribunal imparcial e independente, pedindo depois a sua libertação imediata.

Essa decisão foi, no entanto, condenada por organizações angolanas de defesa dos direitos humanos que se manifestaram contra o pedido de libertação do empresário angolano, acusando a organização de ter “dois pesos e duas medidas” no julgamento de violações que ocorrem em Angola.

Não houve reação por parte do governo angolano.

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
3 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
trackback

[…] Suíça e Portugal, para recuperar quase 1,9 mil milhões de euros do empresário luso-angolano Carlos São Vicente, disse hoje o Procurador-Geral da […]

trackback

[…] O Procurador-Geral da República (PGR) de Angola viajou para a Suíça para estabelecer contactos com as autoridades judiciárias do país helvético para a execução da sentença proferida pelo tribunal angolano no processo do empresário luso-angolano São Vicente. […]

trackback

[…] O Procurador-Geral da República (PGR) de Angola encontra-se em Genebra a tentar a recuperação de milhões de dólares depositados pelo empresário luso-angolano Carlos São Vicente. […]