Crise na Ucrânia: “Angola e África do Sul com dificuldades de condenar Vladimir Putin” – José Gama

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Os EUA e a EU estão apelar a todos países que condenem a agressão russa contra a Ucrânia. Joe Biden alertou A dias que “Qualquer nação que apoie o ataque ficará manchada”. Os países aliados tradicionais da Rússia estão a ter dificuldades de condenar esta agressão.

A representante da EU pediu pessoalmente ao PR da Guine Bissau que condenasse mas este recusou. Moçambique outro aliado tradicional – e que teve a empresa russa Vagner a apoia-la no conflito em Cabo delgado – está em silencio.

No dia 25 de Fevereiro, O embaixador Ucraniano foi ao MIREX pedir que condenassem a Rússia. A solidariedade máxima que recebeu de Luanda, foi uma declaração do MIREX, apelando dialogo entre as partes. Pelo contrario. No sábado um responsável do MIREX esteve na RNA, a exaltar a agressão russa. O vice-presidente da bancada do MPLA, tem feito o mesmo nas redes sociais.

“Luanda, não condenará o seu principal fornecedor de armas e parceiro tradicional. O principal assessor militar da Casa Militar de Lourenço é um especialista russo”. Foram os russos em detrimentos de Israelitas que alguns anos construíram uma sofisticada sala de operação (vulgo gabinete de risco) na cidade alta com comunicação satélite que permite o Presidente angolano se comunicar com o mundo, coma s chefias militares em cambo de batalha, mas também assistir em tempo real, eventos como comícios, manifestações de ruas atraves de uma tela ai montada. As imagens deste gabinete são captadas com ajuda de viaturas especializadas igualmente comprada aos russos. Uma em Luanda, Benguela, e etc. Em outras palavras, os russos controlam as comunicações de JL.

Putin esta em fricção com o bloco europeu. A recente ausência do líder angolano a uma cimeira EU-UA, em Bruxelas, está a ser vista como um gesto de Lourenço que pode ser merecedor da consideração de Putin, embora outras leituras sugerem que sente que esteja com o prestigio abalado optando por se fazer representar pelo seu “Vice”.

A África do Sul também tem dificuldades de condenar a Rússia. No dia em que começou a agressão, a ministra da defesa estava na embaixada russa, em Pretoria, a participar numa cerimonia alusiva a um herói russo. Tanto o Presidente Ramaphosa como o ANC apelaram ao dialogo. Ramaphosa fez declarações que quase culpou Biden dizendo que se este não fizesse imposições para o dialogo com Putin, a agressão não teria ocorrido. Pelas costas, de Ramaphosa, a sua ministra dos negócios estrangeiros fez uma declaração apelando que a Rússia que retirasse do território alheio, algo que não agradou a liderança do ANC, que imediatamente desmarcaram se desta posição.

Ontem 28 de Fevereiro, a embaixada russa em Pretoria fez sair um comunicado em alusão aos 30 anos de relações diplomáticas entre os dois países. A declaração soa a uma advertência para Pretória não se desalinhar. Ou mesmo uma chantagem se quisermos. Fazem lembrar do apoio financeiro, e moral que deram ao ANC na luta contra o regime do apartheid. Fazem lembrar que nos anos de 1929, receberam uma delegação do ANC em Moscovo. Refrescaram ainda que a nível local as autoridades russas estão a ver uma rua ou praça que terá o nome de Nelson Mandela. Lembraram que os dois países são irmãos e que nunca se largarão. Foi uma declaração inédita. Fizeram lembrar também que este ano irão realizar a cimeira Rússia/África, a semelhança da realizada em Soshi, no ano de 2019.

A Rússia e a África do Sul fazem parte dos BRICS. Em setembro de 2021, este grupo assinou uma declaração em Delhi, em que concordaram em não se envolverem em agressões contra estados e que se o fenómeno estiver perto de acontecer, irão privilegiar sempre pelo dialogo. Putin violou está declaração assinada entre as partes. A África do Sul é ate aqui o único países dos BRICS que apelou a Rússia ao dialogo (mas mesmo assim não condenou a agressão do seu parceiro contra Ucrânia).

A África do Sul esta mesmo numa situação complicada. O seu volume de negócios com a Rússia esteve até finais do ano passado perto de 1,03 bilhões de dólares. O preço do combustível na África do Sul aumentou para 7% nos últimos dias. 30% da farinha de trigo da África do Sul veem da Rússia e da Ucrânia, o que quer dizer que com este conflito, o abastecimento poderá ser interrompido afecta a população sul africana, embora haja alternativas. Há mais empresas sul africanas (Naspers”, “SABMiller” e “Mondi) a operarem na Rússia do que ao contrario. Os russos controlam 50% da filial da cervejeira sul africana “SABMiller” que opera naquele país.

Com aplicação de sanções financeiras que afecta ao Swift russo, as empresas sul africanas que operam na Rússia terão dificuldades de realizar transações com Pretória. As sanções contra a Rússia vão de certa forma afectar os seus parceiros comerciais.

José Gama

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