Joelson Caio Manuel Mendes (Nagrelha): “O Morto com funeral sem igual em Angola depois de Agostinho Neto em 1979”

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Chamava-se Gerson Mendes, ou simplesmente, NAGRELHA dos Lambas. Seu funeral é resultado da sua compreensível DIMENSÃO ANTROPOLÓGICA. Ora, há uma coisa que muitos não sabem sobre mim, e terei a ousadia de revelar.

Eu, Dorivaldo Manuel, antes de ser Poeta, escritor, autor e Politólogo, fui KUDURISTA, e tenho 8 músicas (com o meu amigo JOAQUIM POPO) produzidas na produtora do DJ NELINHO. Pois, em 2010, deixamos o KUDURO para seguir outros desafios sócio-culturais.

Por que é importante dizer que também fui kudurista?

Porque algumas pessoas em Angola, que julga(va)m o KUDURO, precisam saber, que “ANGOLA SEM KUDURO SERIA UM ERRO”, deste modo, parafraseando Albert Einstein, queremos dizer que sem este estilo de música muitos homens ou jovens angolanos estariam em crise de mudança do habitat.

Porém, em parte, trata-se de um estilo que tirou muitos jovens do filme “A CIDADE DE DEUS”… deixaram de ser Zé Pequeno, para serem Kuduristas ou jovens eticamente estudáveis.

Bruno M era minha ligação de versos e estrofes, confesso que não fui seguidor do NAGRELHA nem estive na esfeira do filme supradito, quando cantava kuduro, apenas respeitava a sua essência impulsionante. E tenho a permissão de dizer, que NAGRELHA E BRUNO KING são artistas que não inventaram o estilo KUDURO, mas desenvolveram e contribuíram no processo de desconstrução da má imagem da música e seus praticantes, com paranóias e dicas inéditas que se refletem no CARISMA DO NAGRELHA.

O CARISMA do Nagrelha não só originou das mensagens suburbanas, que refletem o modo de vida suburbano de Angola. Pois, também originou do seu ilusionismo e ousadia enquanto pessoa expressivamente elevada no mundo da música como KUDURISTA e do mundo cinematográfico como ACTOR. Era também um humorista emprestado ao Kuduro.

Nagrelha tinha uma essência e natureza, que, independentemente, dos defeitos notáveis, permitiram-no compreender os contextos políticos e sociais. “PAÍS JÁ TEM DONO, JÁ TEM MINISTRO, JÁ TEM PRESIDENTE, GIRA ASSIM, TUDO ENTRE ELES, FILHO E PAI, PAI E FILHO”. Dentre todas as dicas, que lhe tornam homem e pessoa antropologicamente dimensional, prefiro citar essa, porque é uma dica ontológica e politicamente quebrável, que não lhe distanciou do MPLA-GOVERNO, pelo contrário, tornou-se mais próximo de José Eduardo dos Santos, e soube mostrar ao mundo e Angola, que foi um ser honesto, por reconhecer as benesses da proximidad com dos Santos, o Ex-presidente de Angola.

Portanto, quem diz que nunca ouviu e sentiu a música “o 4, comboio, tá doçado, sobe e mamadji etc”., dos LAMBAS, tem problema de vínculos éticos – ou é indiferente ou sofre de não sentir amor pelas coisas surreais. A vida é uma sina e com Kuduro afina.

HOJE, NAGRELHA é um ser ausente-presente, e podemos através do seu poder carismático, alegar que nunca houve em Angola um morto com funeral sem igual depois de Agostinho Neto em 1979. Portanto, sugiro ao Presidente da República, que oficialize o dia da sua morte como dia dos KUDURISTAS. Foi, sim, um homem da cultura e para cultura.


DORIVALDO MANUEL

 

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