O Banco de Fomento Angola (BFA) antecipa que o desempenho orçamental este ano seja mais favorável do que o previsto, estimando um défice de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 2,8% projetados pelo executivo angolano.
Na nota informativa “OGE 2026: um cenário fiscal mais favorável”, os analistas do BFA justificam a previsão com um preço médio do petróleo superior ao assumido pelo Governo e uma “execução mais contida da despesa”.
“O Governo prevê um saldo global negativo de cerca de 2,8% do PIB, o que reflete que, no conjunto, as despesas totais deverão superar as receitas totais, mantendo-se a necessidade de recorrer a financiamento adicional. Em contrapartida, as nossas estimativas apontam para um défice mais moderado, próximo de 1,7% do PIB, o que indica uma menor pressão sobre as contas públicas e uma trajetória de endividamento potencialmente mais controlada”, lê-se no relatório.
O OGE 2026 foi elaborado com um preço médio do barril de petróleo em torno de 61 dólares (cerca de 52 euros) enquanto o BFA assume como referência 65,6 dólares (cerca de 56 euros).
Segundo o Gabinete de Estudos Económicos do banco, este enquadramento deverá traduzir-se num “cenário fiscal mais favorável”, com pressão ligeiramente menor em necessidades de financiamento e maior margem para a consolidação da dívida pública.
O BFA prevê um crescimento económico mais moderado mas também uma inflação média mais baixa em 2026 do que o executivo angolano.
Enquanto o OGE assume um crescimento do Produto Interno Bruto de 4,2% e uma inflação de 13,7%, o banco estima um crescimento em torno de 3,6% e uma inflação média de 12,6%.
A divergência estende-se ao saldo primário. O Governo antecipa um excedente próximo de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o BFA aponta para um saldo primário em torno de 1,4%, justificando esta diferença com receitas petrolíferas superiores às previstas no OGE, beneficiando de um preço médio do petróleo mais elevado.
O banco destaca ainda o saldo primário não petrolífero, indicador central para avaliar a sustentabilidade das finanças públicas sem o contributo do petróleo.
O Executivo prevê um défice de cerca de 5,1% do PIB, acima do limite definido na Lei da Sustentabilidade da Dívida Pública, enquanto o BFA projeta um valor inferior, próximo de 4,4%.
Com base nos pressupostos oficiais, o Executivo prevê receitas correntes de 18,2 biliões de kwanzas (cerca de 17,1 mil milhões de euros) e despesas correntes de 16,6 biliões de dólares (15,6 mil milhões de euros), enquanto as estimativas do BFA apontam para receitas correntes ligeiramente acima de 18,4 biliões de kwanzas (17,3 mil milhões de euros) e uma execução de despesa corrente inferior em torno dos 15,3 biliões de dólares (14,4 mil milhões de euros).
Do lado das receitas, o BFA estima receitas petrolíferas de 8,2 biliões de kwanzas (7,7 mil milhões de euros), acima dos 7,5 biliões do OGE (7,1 mil milhões de euros), mas projeta receitas não petrolíferas abaixo do previsto, de 10,2 biliões (9,6 mil milhões de euros), contra 10,7 biliões do executivo (10,1 mil milhões de euros).
“Do nosso lado, estimamos que as receitas petrolíferas venham a ser cerca de 9,0% superiores às previstas no OGE, essencialmente devido ao diferencial positivo de preços do petróleo que assumimos, embora a produção também seja mais baixa. Em sentido inverso, projetamos receitas não petrolíferas cerca de 4,4% inferiores às previstas, em resultado de um crescimento económico mais contido”, indica a análise.



