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UNITA lamenta “empobrecimento de famílias e empresas angolanas” e questiona papel de Presidente da República

A UNITA (oposição angolana) disse hoje que Angola vive um ambiente de “degradação” das instituições e empobrecimento das famílias e empresas, considerando que o papel de um Presidente da República “não é aumentar a pobreza do povo”.

De acordo com a presidente do grupo parlamentar da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), Albertina Ngolo, o país regista, nos últimos meses, “um aumento contínuo do custo de vida e uma taxa de inflação persistente, que corrói salários baixos e destruiu a classe média”.

“Uma cesta básica cada vez mais incessível para a maioria dos angolanos. O salário mínimo nacional, além de baixo, continua setorizado, institucionalizando desigualdades profundas e condenando milhões de trabalhadores à sobrevivência “, afirmou, recordando que a Constituição postula o respeito pela dignidade humana.

A deputada, que intervinha hoje na Assembleia Nacional para apresentação da declaração política do seu partido, disse igualmente que Angola vive um ambiente de “degradação” das instituições e de empobrecimento das pessoas, das famílias e das empresas.

Aludindo aos dados da World Poverty Clock – organização internacional que faz estimativas sobre demografia e pobreza a nível mundial -, Albertina Ngolo considerou que Angola “ficou 82% mais pobre em oito anos” – vigência do mandato do Presidente angolano, João Lourenço –“uma média de 10,1% ao ano”.

“Este índice passou de 13,9 milhões, em 2017, para 18 milhões, em 2021, um crescimento de 7,4% em quatro anos”, referiu a deputada, estimando que Angola venha a atingir, em 2030, a cifra de 20 milhões de angolanos abaixo da linha da pobreza.

Não é por acaso que os contentores de lixo “tornaram-se em zonas de garimpos para muitos cidadãos em busca do pão de cada dia”, prosseguiu, lamentando a recente morte de dois adolescentes no interior de um carro de recolha de lixo, “na tentativa de buscar algo para comer”.

“Não importa como foi eleito, o papel de um Presidente [da República] não é aumentar a pobreza para o seu povo”, notou, lamentando a “degradação” da educação, da saúde e das liberdades fundamentais em Angola.

Segundo a líder do grupo parlamentar da UNITA, citando dados do Sindicato dos Professores Angolanos relativos aos últimos 20 anos, 60% das escolas públicas não têm água potável e corrente elétrica, 87% das escolas públicas não possuem bibliotecas e 90% não têm laboratórios.

Assiste-se em Angola, apontou a deputada, à “asfixia democrática da democracia plural, plena e liberal” e à concentração de poderes, de forma excessiva, no titular do poder executivo [Presidente da República], que “quer manter o poder a todo o custo, perseguindo adversários políticos e perdendo ativistas”.

Acusou igualmente João Lourenço de usar os órgãos de segurança e defesa a seu favor, referindo que o executivo angolano mostrou, nos últimos meses, que não concorda com a realização de manifestações e, por isso, observou, “catalogou” todos os que se manifestaram e que pretenderam manifestar-se como “vândalos e arruaceiros”.

“O medo [em Angola] está cada vez mais a sufocar o debate democrático”, afirmou ainda Albertina Ngolo, considerando que a sociedade civil, com destaque para as igrejas, “pilares essenciais da coisa social, enfrenta instrumentalização e silenciamento”.

Por outro lado, a deputada da UNITA manifestou “repúdio” quanto ao cenário que África enfrenta, “sobretudo no que respeita aos processos eleitorais, que certos ditadores africanos, com a ânsia de se manterem no poder, gerem processos eleitorais não transparentes”, criticando o “olhar impávido, sereno e cúmplice da União Africana e do seu presidente”, João Lourenço.

 

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