27 de Maio: “A nossa geração não pode falhar” – Dito Dalí

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Outro dado importante sobre os pedidos de desculpas que o PR endereçou aos angolanos em nome do Estado. O meu grande amigo, Domingos da Cruz Maninho, escreveu um livro onde consta um capítulo retratando bons exemplos dos países como a África do sul, Rwanda, Uganda, Botswana etc.

Que tiveram quase os mesmos problemas e que foram bem resolvidos no âmbito da comissão da verdade e reconciliação nacional. Quando se apela a criação da comissão da verdade para dar resposta cabal ao processo 27 de Maio e todos os conflitos políticos e tribais que ocorreram em Angola, não significa que se vai abrir as feridas do passado e partir logo pela via das vinganças contra os carrascos ou assassinos do 27 de maio, não é isso. Os próprios assassinos terão de explicar ao país quem os mandou (sabemos que foi Agostinho Neto e Lúcio Lara, pode ser que haja outros nomes), o que lhes motivou a participar ou se envolver naquela chacina contra humanos, ajudar a identificar os corpos, colaborar para a proeza da comissão da verdade e, se possível, também pedirão desculpas ao Estado angolano por tudo de mal que fizeram e às consequências causadas na vida de milhares de famílias angolanas. Por último, os carrascos serão submetidos numa espécie de ritual ou cerimónia espiritual tal como recomendam as tradições e cultura bantu para juntos enterrarmos esse capítulo sem mágoas, conotações, sem sentimentos de vinganças, perseguição etc.

Portanto, sem a “abertura dos arquivos sobre o 27 de Maio” que estão com MPLA e a criação de uma comissão da verdade, o processo não estará concluído, o barulho nunca se vai calar. É necessário respondê-lo com inteligência, prudência e sem pressa em resolver esse assunto. Não basta pedidos de desculpas e a devolução das ossadas às famílias das vítimas, é muito mais do que isso, para além das indenizações que já falei no post anterior.

Quanto aos casos da queima “às bruxas” protagonizados na Jamba, não cabe a UNITA tratar desse assunto de forma isolada, é da responsabilidade do Estado angolano representado pelo governo do MPLA liderado por João Lourenço! Tanto a UNITA, quer a FNLA serão chamados apenas a integrar a possível comissão da verdade para ajudar o governo na resolução e desfechos desse dossier, ajudar e colaborar com a entrega de documentos, corpos de cadáveres ou ossadas das vítimas etc etc. Não é mais da responsabilidade da UNITA ou da FNLA, mas sim do Estado angolano que contará com a colaboração de todos os envolvidos…

Espero ter ajudado os nossos jovens que estão a pedir que a UNITA e a FNLA deviam fazer o mesmo que o João Lourenço fez ao se dirigir ontem aos angolanos e pediu desculpas. UNITA e FNLA não são governos, mas sim parte integrantes e importantes do Estado angolano.

O título da obra de de Domingos da Cruz, para quem mostre interesse e quer estudar um pouco mais sobre isso é: ” África e os direitos humanos”.

A nossa geração não pode falhar.

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