“A cura da COVID-19 está na medicinal natural”

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O médico naturapata Fernando Kitandé revelou que a Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural, Alternativa e Não Convencional de Angola está a criar protocolos e a fazer pesquisas para encontrar plantas eficientes no combate à Covid-19. “Caso não haja uma planta, vamos fazer combinação de várias plantas para dar resposta à essa situação”.

 

Que contributo os terapeutas podem dar no combate à pandemia da Covid-19?

É sabido que, desde os primórdios da humanidade, os nossos ancestrais usavam plantas naturais para combater certas enfermidades. A medicina natural, de certa forma, esteve sempre presente na vida das pessoas. Por isso, é que, antes da medicina convencional ser tão desenvolvida, fazia-se, primeiro, o uso de plantas, raízes e folhas para tratar doenças. Nessa fase da pandemia da Covid-19, a medicina natural passa a ser importante porque contém princípios activos que podem ajudar a aumentar a imunidade do individuo.

Quais são os trabalhos desenvolvidos pela Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural, Alternativa e Não Convencional de Angola nesta fase de combate à Covid-19?

Como Associação estamos a criar protocolos e pesquisas para encontrarmos plantas eficientes no combate à Covid-19. Caso não haja uma planta, vamos fazer combinação de várias plantas para dar resposta à essa situação. Falamos exactamente de medicamentos naturais que podem proteger o sistema imunológico. É só vermos os vários casos que o país tem, para constatar que a recuperação depende do sistema imunológico de cada um. Muitas pessoas estão a recuperar graças a alimentação baseada em produtos naturais. A dieta é um elemento essencial no combate de muitas doenças. Além dos chás, a medicina natural tem dado respostas a muitas enfermidades. nesta senda, estamos engajados em encontrar uma cura para a Covid-19.

Há pesquisas a serem desenvolvidas?

Com certeza. A nível da Associação há vários estudos e pesquisas a serem desenvolvidas para encontrar uma planta que cura efectivamente a Covid-19 ou a revelação de plantas capazes de levantar o sistema imunológico para que  o individuo que esteja acometido com a doença não sofra danos graves, como estamos a ver muitas mortes em tempos actuais.

Acredita que a cura da Covid-19 pode estar na medicina natural? 

Sim. Acredito que a cura da Covid-19 está na medicinal natural. Houve doenças, que antes achávamos não ter cura, mas, a partir de algumas plantas conseguimos encontrar uma cura para elas. Ainda que não se consiga uma planta que cure a Covid-19, há de existir uma que aumenta a imunidade do organismo humano. Quando a imunidade é elevada, ainda que o individuo esteja infectado, a doença não terá efeitos drásticos à saúde. Aliás, temos muitos chás derivados de plantas que ajudam a levantar a imunidade. O que falta é uma combinação para uma fórmula que seja eficaz. Dentre algumas plantas que podem ajudar na imunidade e até mesmo na cura, temos o Candambuje, Capungupungu (Melisa  em português), Kimbuma, Aipox e muitas outras originárias de várias regiões, como Malanje, Uíge, Cuanza-Sul e Huambo.

Que avaliação faz do desenvolvimento da medicina tradicional em Angola?

Reconhecemos que a medicina tradicional, nos últimos tempos, ganhou mais impacto. As pessoas sabem mais sobre os seus benefícios para a saúde. Anteriormente, quando uma pessoa procurasse os serviços de um centro terapêutico era conotado com o ocultismo. Mas hoje, felizmente, essa mentalidade quase já não se observa. Os terapeutas fazem tratamentos com base numa formação, devidamente comprovada com uma carteira profissional para o exercício da actividade.

Que opinião tem sobre os falsos terapeutas?

O exercício da actividade terapêutica, como qualquer outra, tem um órgão regulador encarregue de organizar todos aqueles que trabalham na área. Realmente, temos muitos terapeutas que não passaram por uma formação especializada e se intitulam como especialistas e curadores. Infelizmente, existem muitos falsos terapeutas a nível da província de Luanda, onde em cada canto há um centro de medicina natural. Isso faz com que as pessoas questionem a credibilidade do tratamento. Felizmente, a Câmara já tem conhecimento da situação e está a trabalhar para que, caso eles sejam falsos, façam uma formação e, só depois disso, poderão exercer, legalmente, a actividade.

Que alimentos naturais são essenciais para a imunidade do organismo? 

A natureza oferece-nos além de plantas, folhas e raízes que nos dão os chás. A nossa dieta alimentar diária ajuda-nos a prevenir e fortalecer o nosso sistema imunológico. Os nossos ancestrais comiam muito daquilo que vinha da terra,  do seu próprio cultivo, entre eles tubérculos como a mandioca, batata-doce e rena, ginguba, milho e folhas como a quisaca. O consumo desses produtos fez com eles tivessem um organismo mais saudável que o nosso. Para a protecção do nosso organismo é bom que optemos por uma alimentação mais equilibrada, a base de produtos naturais, como a cebola, o inhame, batata-doce, rena, mandioca e folhas derivadas destes e outros tipos de alimentos. São alimentos orgânicos que ajudam a ter um sistema imunológico saudável e mais equilibrado. A alimentação é um ponto importante para uma saúde estável.

O confinamento aumentou o número de pacientes com problemas de ansiedade e obesidade?  

Com certeza. Três meses depois do início da pandemia no país, o número de pacientes aumentou, de forma considerável. O confinamento em si é uma prática que, muitas vezes, leva o individuo ao sedentarismo, porque quase nada faz em termos físicos, além das actividades domésticas. Nesta fase, há pessoas que se tornaram obesas e com isso surgiram problemas cardíacos. Recebemos pessoas que, antes do confinamento, eram saudáveis, mas passaram a apresentar problemas de hipertensão arterial, diabetes e outras doenças do foro metabólico. No nosso centro, atendemos também problemas ligados a insuficiência renal aguda, prostatite, ejaculação precoce, hemorróidas e outras. Este número tende aumentar devido a Situação de Calamidade Pública. Quando as pessoas ficam muito tempo em casa, a tendência é comerem de tudo sem restrições. Daí ser extremamente importante manter uma alimentação adequada e regrada durante esse período. O ideal é a retirada dos alimentos menos eficientes para a saúde.

De que forma podem os terapeutas apoiar as autoridades, particularmente o Ministério da Saúde, no combate à Covid-19?

Com o decorrer do processo de aprovação do pacote que regulamenta a medicina natural em Angola, pensamos que a Câmara vai desempenhar um papel crucial no combate à pandemia. Acreditamos que após a aprovação deste pacote vamos trabalhar de uma forma mais afincada, para darmos solução a esta situação. Daí a importância de criarmos protocolos que ajudem na saúde das pessoas. A medicina natural não é uma área como medicina clínica que comporta várias especialidades. Um terapeuta trata como se fosse um clínico geral. Se o que estiver a ser administrado não surtir efeitos, procura fazer uma combinação com a medicina convencional. O que é fundamental na medicina é dar resposta, quer seja natural ou convencional.

Quais são as doenças mais frequentes no vosso centro?

Recebemos pacientes com todo tipo de doenças, desde epilepsia, infertilidade, miomas, hipertensão, obesidade, hérnia e outras. Os mais frequentes são os casos de infertilidade, diabetes, obesidade, miomas e ejaculação precoce. Felizmente temos tido grandes resultados. Temos pacientes de todas as idades. Na questão da ejaculação precoce temos recebido jovens com 25 anos. Situações tão precoces porque, infelizmente, há indivíduos com essa idade que não fazem nenhum tipo de exercício físico, consomem alimentos sem os nutrientes necessários para manter estabilidade e tudo isso determina o próprio desempenho sexual. Os hipertensos são na sua maioria a partir dos 40 anos e muitos, as vezes, desconhecem que são portadores da doença e quando dão conta já é tarde.  Outro problema que também tem afectado indivíduos da mesma faixa é a prostatite.

Aconselhamos a todos a irem à consulta uma vez por mês, para revisão do sistema reprodutor. Também mulheres muitos jovens, com 25 anos, já apresentam problemas de miomas e xistos no ovário. Umas influenciadas por questões genéticas e outras pela má alimentação em termos de gorduras.

Texto do JA

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