Análise dos comícios eleitorais do “MPLA e UNITA” face a teoria da Cultura política

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O exercício que nos sujeitamos fazer entrelaça-se a função da ciência e, concomitantemente, do Cientista Político, de modo que muitas observadas acções do Sistema Político Angolano não sejam concebidas na base do saber superficial, assistemático, sensitivo, subjetivo e acrítico (o senso-comum).

Na verdade, ver tanta gente nos comicios eleitorais ou pré-eleitorais não é e nem significa vencer as eleições. Pois, trata-se de um fenómeno democraticamente universal, que resulta do senso e consciência moral dos cidadãos interativos, sendo alguns incapazes de votar. Aliás, não é uma realidade de homens amorais, podemos até dizer que possa ser uma realidade de cidadãos que se consideram Pobres, mas despendem dinheiro no táxi, só para apoiarem e verem um político a falar o que muitas vezes o poder não pratica por razões evidentemente ontológicas ou culturais africanas. Trata-se de um evento que enriquece os partidos no jogo eleitoral, mas não significa acto de conhecer o político, significa ir para saber ou ouvir o que o político pensa e o que pretende fazer para ser conhecido.

MAQUIAVEL, o pai da Ciência Política Moderna, disse o seguinte “dê o poder ao homem e descubrirá quem ele realmente é”. Enfim, é claro que esta máxima está mais voltada para um cidadão refletir antes de ir aos comícios do MPLA a despeito da experiência (desde 1975 até 2022), mas não significa que não se lhe aplica a UNITA, tendo em conta as atitudes internas e a cultura de intolerância de alguns militantes, que suplantam aos olhares dos mais cautelosos, ou cidadãos movidos por emoções controláveis no sistema político.

A cultura política é uma parte da cultura geral, e conforme elucidou-nos o Professor ABEL LELO, apoiando-se em POWEL, DALTON e STROM, em matérias de Política Comparada, na Universidade Agostinho Neto, Faculdade de Ciências Sociais (2015-2020), tal cultura tem a ver com a orientação dos cidadãos relativamente aos seguintes níveis:

1° Sistema Político;
2° Processos Políticos;
3° política ou outputs

Verifica-se que o primeiro nível assenta na identificação ou interpretação dos cidadãos face os valores e funcionamento do sistema político. Em Angola tal realidade conceptual deve ser analisada com cuidado a despeito das divisões dos grupos com pensamentos politicamente diferentes, há aqueles que se orgulham do país e do governo liderado pelo MPLA em função da legitimidade tradicional ou ideológica que se impõe, mas há aqueles que se despem e posicionam-se democraticamente contra o governo porque não sentem as suas obrigações. Um dos grandes problemas que custa entender neste quesito, são os conflitos de ideias que giram em torno das intolerâncias geradas pelos cidadãos (políticos, activistas, militantes, estudantes, académicos, artistas e sacerdotes).

O nível do processo político é o que nos compete dizer, que seja o mais confluente ao contexto do tema, porque não se entende a motivação quanto as expectativas do bem-estar quando vemos jovens e ativistas eufóricos no âmbito do processo eleitoral, dando créditos aos políticos, mesmo sabendo como funciona a democracia em África. Alguns activistas até neste sentido em Angola deixam a desejar, posicionam-se como simpatizantes do partido UNITA, alegando aos ouvidos que, quiçá, não sabem o que é política, que “Angola só vai desenvolver com a UNITA no poder”, como analista político, diria que é uma preposição afirmativa muito “perigosa” e possível, já que não está ser possível com MPLA, mas surge a pergunta – o que a UNITA faz, actualmente, do ponto de vista de projectos sociais, sem o apoio dos grupos de pressão e interesse, para mostrar que é capaz de desenvolver Angola, se não cria tais projectos solidários com o seu baixo percentual poder, o que fará, caso estiver no alto percentual poder? […].

O último nível da cultura política, decerto, é um nível interessante, que nos perguntaríamos – até que ponto os cidadãos angolanos estão informados sobre os resultados do PDN 2018-2022, de modo que compreendam a política no âmbito da prática das decisões do político João Lourenço, que mais aparece como candidato do pleito, suscitando, assim, uma grande motivação ou senso moral para irem aos comícios eleitorais e ouvirem mais o que o poder nem sempre faz?

Na verdade há muitas coisas para serem fundamentadas, o certo é que vivemos num país que suscita estudar os problemas gerados pelas várias estruturas. Este poste tem como objetivo despertar os comportamentos aparentemente anormais, que podem nos levar a cultura política conflituosa.

Deste modo, pedimos aos militantes e simpatizantes do MPLA e UNITA, que não desordenem a mente de muitos jovens ou o povo, pois ir ao comício ou encher os comícios com eventualmente alguns adolescentes e cidadãos analfabetos não significa votar, estamos no século XXI, um tempo em que o cidadão do voto consciente pode ouvir as ideias do candidato por outros meios de socialização política, tal como rádios e TVs. Assim, falando em meios, creditamos para que o MPLA (ainda governo) dê a UNITA (e outros partidos) a abertura de se afirmar eleitoralmente com as mesma garantias que se prestigia. Portanto, que haja cultura política, que saibamos viver a política, pois as tensões que se criam não são possíveis de gerar culturas consensuais, mas efetivamente conflituosas. OUVEM A CIÊNCIA, E NÃO OS HOMENS. POIS, ENTRE AQUELA E ESTES, HÁ UM MEIO TERMO, NEM TODO HOMEM QUE FALA SOBRE POLÍTICA E SE ENGAJA NA POLÍTICA SABE E É MOVIDO PELA POLÍTICA CIENTÍFICA, QUE ALGUNS IGNORAM PARA SE PERDEREM NA IDEOLOGIA TRADICIONAL.

DORIVALDO MANUEL
Cientista Político, dorival935197315@gmail.com

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