Angola: “A insegurança está a espalhar-se no continente africano” – Adebayo Vunge

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Tem vindo a subir de tom e de maneira muito preocupante a insegurança no continente africano de tal sorte que actualmente em todas as sub-regiões encontramos nichos de conflitualidade. O caso de Moçambique tornou-se a referência dessa preocupação quando falamos da África Austral.

Face ao que sucedeu no “país irmão do Índico”, os países vizinhos ao nível da SADC deveriam assumir uma postura de maior colaboração e não a de se resignarem ao mal que é provocado por movimentos fundamentalistas que se aproveitam essencialmente de falhas do Estado ligadas à má governação e consequentemente o lastro de pobreza que atravessa algumas regiões demasiadas ricas em matéria de recursos naturais.

Em sã consciência, não é admissível que estes movimentos continuem a espalhar o terror junto das populações ante a quase passividade ou incapacidade dos Estados em fazer-lhes face. Todos devem colocar as suas barbas de molho.
Se Moçambique é um palco onde o fenómeno ficou mais próximo de nós seja em termos geográficos mas sobretudo culturais, a verdade é que não é novidade por exemplo nos Estados do Sahel e da África Ocidental e Oriental onde as vagas de movimentos terroristas têm estado a devastar a força do Estado, já de per si extremamente frágeis como vimos suceder por exemplo no Mali a quando da intervenção das forças francesas que poderão estar de saída após o anúncio recente do Presidente francês, Emanuel Macron, no passado dia 10 de Junho.

Segundo ele, a região do Sahel tornou-se o “epicentro do terrorismo internacional” pois as forças francesas, não obstante o trabalho de apoio para a libertação de diversas regiões, não têm contado com o apoio do exército local para a manutenção da ordem do Estado. O clima político em Paris não permite que Macron mantenha o figurino e o número de efectivos naquela região.

Os franceses e os demais europeus que os dão suporte não compreendem a incapacidade das forças militares malianas para suster a situação e menos ainda o papel que estas têm tido na instabilidade política, mormente nos dois golpes de Estado recentes. Mas os franceses são também, cada vez mais, contestados e acusados de adoptarem uma postura neocolonial e não conseguindo evitar a onda de sequestros, mortes e migrações que o conflito tem vindo a gerar. Ao mesmo tempo, o espírito de cooperação que apontava para a formação dos exércitos dos países da região, do chamado G5 do Sahel (Mauritânia, Mali, Níger, Burquina Faso e Tchad) também revelou-se um falhanço de tal sorte que até um Chefe de Estado acabou por morrer em combate.

Coincidência ou não, no mesmo dia que o Presidente Macron anunciava o fim da operação Karkhane, a Côte d´Ivoire procedia a abertura de uma Academia Internacional de Luta contra o Terrorismo. O país pretende assim preparar as suas forças e prestar apoio aos países vizinhos face aos perigos que representam as forças djihadistas cuja principal táctica radica na infiltração junto da população.

É óbvio para todos que os países africanos devem criar condições endógenas para a salvaguarda da sua própria segurança e soberania e não assumirem uma postura de Estados-falhados diante da sua própria população e também diante da comunidade internacional. Neste capítulo, continua a ser muito contestada a inércia da União Africana em diversos quadrantes – seja em termos de defesa e segurança, seja também em matéria de promoção de uma efectiva integração económica e política ao nível do continente. E esta situação era válida antes da Covid-19, mas com esta pandemia é demasiada óbvia. A UA faz muito pouco, pede-se mais dinamismo.

 

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