Angola: A rebelião de Cafunfo e a falta de diálogo e a importância de um “mediador” – Rui Cesta

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O país despertou na madrugada de sábado com uma triste notícia. Na vila mineira do Cafunfo, província da Lunda – Norte, uma rebelião armada protagonizada por cerca de 300 elementos, alegadamente afectos ao movimento Protectorado Lunda Chokwe, atacaram uma esquadra policial munidos de armas de fogo tipo AKM, caçadeiras, ferros, paus e pequenos engenhos explosivos artesanais, onde tentaram colocar a bandeira do movimento.

O acto terminou com a morte de quatro indivíduos e o ferimento de cinco, que se encontram sob cuidados médicos na unidade sanitária local. O triste acontecimento vem despertar, mais uma vez, a consciência do Governo para a necessidade imperiosa de apostar muito mais no diálogo, como forma de ultrapassar eventuais conflitos ou controvérsias.

É sabido, de um tempo a esta parte, que cidadãos de Cafunfo andam descontentes com uma alegada injustiça no que concerne a disposição de oportunidades para os nativos, em detrimento de outros cidadãos provenientes de outras paragens do país. Dizem que os diamantes produzidos na Lunda, não valem absolutamente nada para a reconstrução deste território e não reflecte no modo de vida dos cidadãos da província. Tudo isso só acontece, porque não há diálogo com estas populações.

O Governo até já dialogou muito com estas populações, no passado, mas deixou de o fazer, facto que tem criado motivos para novas interrogações, já que há perguntas que ficam sem respostas. Não se percebe, no entanto, as razões que levaram o Governo a deixar de conversar com estes indivíduos descontentes, se as pessoas a quem eram incumbidas as missões de serenar os ânimos naquelas paragens ainda continuam aí. Onde pára o político Bento Kangamba, um homem do leste e que durante muito tempo era a figura do MPLA indicada para dialogar com as populações da vila mineira? Sabe-se da importância do papel desempenhado por Kangamba sempre que se sentiu a necessidade de manter um diálogo com as populações na vila mineira de Cafunfo.

A capacidade de sensibilização e popularidade que tem este político junto das populações devia ser aproveitado pelo Presidente da República João Lourenço, como estratégia para se evitar que mais sangue continue a ser jorrado naquelas paragens. Estes conflitos não são de hoje. E fica mal para o MPLA, que se continue a assistir estas mortes na Lunda Norte, sobretudo numa altura em que se aproximam as eleições. As imagens de terror de corpos espalhados no chão, disseminadas nas redes sociais, prejudicam o Governo e o partido no poder, que mantém o desafio de conservar intacto a imagem positiva no contexto internacional.

 

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