Angola: As Confissões dos Segredos dos descaminhos da (des)independência

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 A verdade tem pernas curtas e demora, mas com certeza ela chega. Por outro, a mentira tem pernas longas e é mais rápida a chegar, mas ela no fim é exposta. Tenho ouvido várias vezes com muita dor e revolta os depoimentos testemunhais do mais velho político Lopo do Nascimento sobre “os segredos dos caminhos da independência” proferidos aos estudantes do Instituto Dom Bosco, acredito ser aqui em Luanda em 2018 e disponível nas redes sociais.

São depoimentos que na verdade chamo de “confissões” muito interessantes que confirmam a existência de uma estratégia política-ideológica calculada de rejeição, traição, violação e manipulação dos Acordos de Alvor de Janeiro de 1975. Também entendi que a política colonialista discriminatória de assimilação transformada em integração foi intencionalmente concebida para destruição e eliminação sistemática dos diferentes que têm pensamentos e ideias de homens e mulheres livres e com escolha. Convido, todos os angolanos, em particular os jovens, que foram durante 45 anos forçados a ouvirem mentiras, inverdades e manipulações a ouvirem e analisarem estes depoimentos e tirarem as suas conclusões sobre a verdade nua e crua dos acontecimentos decorrentes entre Janeiro a 11 de Novembro de 1975.

É importante que os Angolanos ouçam e analisem os depoimentos “confissões” do mais velho político porque a tendência patológica da mentira, manipulação, omissão e inverdades sobre o 11 de Novembro teimosamente perduram nos órgãos de comunicação social.

Afinal, quem nunca quis reconhecer e dialogar com os outros angolanos “diferentes” nas sempre optou pela lógica neurótica e reacionária da intolerância, exclusão e eliminação de todos que pensam, acreditam e falam diferente? Quem foram os responsáveis desta festa satânica que saciava-se com o sangue dos seus próprios filhos, irmãos, amigos, colegas? As respostas estão no depoimento do mais velho Lopo do Nascimento que narram em primeira pessoa os acontecimentos que antecederam o 11 de Novembro de 1975 e o despoletar de uma guerra civil desnecessária, vergonhosa e criminosa que infelizmente alguns glorificam e enriqueceram-se dela.

Por isso, honro e respeito o 11 de Novembro, por representar o sacrifício e sangue dos verdadeiros e genuínos filhos e filhas desta terra que resistiram e lutaram contra o regime colonial e esclavagista português. Mas não celebro nem porque ela representa a expressão mais perigosa e irracional da intolerância partidária, exclusão, inverdades, mentiras e manipulações que só atiçam até hoje os angolanos uns contra os inimigos. Não celebro nem festejo porque o dia simboliza a maior crispação e inimizade partidária entre os angolanos com a usurpação violenta do poder e a quebra de diálogo e consenso, confiança entre os angolanos com o início de um dos maiores genocídios da história moderna.

Honro e respeito o 11 de Novembro porque acredito que os 3 movimentos de libertação eram de angolanos que amaram e amam Angola. Mas não celebro nem festejo porque estamos rotulados entre os santos e pecadores, inimigos e amigos, falsos e autênticos e como se uns fossem mais donos e outros mais escravos.

Honro e respeito o 11 de Novembro em memória dos milhares de Angolanos conhecidos e desconhecidos de todas as aldeias e cidades deste grande e maravilhoso país que resistiram, lutaram e morreram para que esta data existisse. Mas não celebro nem festejo porque a nação angolana foi capturada e arregimentada num único enferrujado, reacionário e corrupto pensamento que não permite a liberdade de pensamento nem reconhece a diversidade das origens de todos que com suas vidas, sofrimentos e prisões o 11 de Novembro marcasse a história da Angola independente.

Honro e respeito o 11 de Novembro por representar o culminar de grandes sacrifícios, incluindo a vida de muitos patriotas genuínos que só tinham Angola como sua única pátria. Mas não celebro nem festejo, porque foi violentamente usurpada com inverdades, mentiras e manipulações e transformada em uma festa partidária, exclusiva, de casta vencedora;

Honro e respeito o 11 de Novembro porque vivo as lembranças e memórias dos meus amigos de infância e de escola no Lobito (Canata, Africano, Bela Vista, Liro, Lobito Velho, Caponte, Compão, Catumbela e outras paragens) que juntos brincamos sem maldades nenhumas nos nossos corações e sonhamos por uma Angola livre, independente, justa, de todos para todos; mas não celebro nem festejo porque uma geração gananciosa, egoísta, maldosa e irresponsável destruiu tudo que era mais precioso e inocente em nós e transformaram-nos em inimigos cruéis só para servirmos os seus interesses corruptos e neocolonialistas. O que é que se ganhou em nos matarmos durante muitos anos e hoje estarmos todos juntos, sentados no Parlamento? O que é que justifica tamanha irracionalidade de intolerância, exclusão e crueldade entre Angolanos?

Honro e respeito o 11 de Novembro pela memória dos empobrecidos, oprimidos e indigentes pela colonização que tinham esperança de que esta data seria o sinónimo de justiça social, oportunidades, melhorias sociais, trabalho e desenvolvimento; Mas não celebro nem festejo porque o empobrecimento tornou-se a nossa realidade, a indigência e o desespero, a herança que deixamos para as presentes e futuras gerações.

Honro e respeito o 11 de Novembro, mas não celebro nem festejo porque é uma festa perigosamente partidária e partidarizada em todos os seus sentidos, manipulada de mentiras e omissa de toda verdade histórica. No dia 11 de Novembro celebra-se e afirma- se a intolerância, exclusão, marginalização e eliminação política e física dos diferentes.

A verdade pode ter pernas curtas mas ela sempre chega, mesmo que a mentira e a manipulação sejam teimosas. Acredito que um dia, a mentira, inverdade e manipulação serão desconstruídas e a verdade história do 11 de Novembro reconstruída. Então e se estiver ainda vivo celebrarei e festejarei o 11 de Novembro, dia da Independência Nacional.

Elias Mateus Isaac
Actvista Cívico

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