Angola: Candidatos denunciam “irregularidades” nas eleições internas do MPLA

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Eleições de dirigentes das estruturas de base são marcadas por denúncias em comités distritais e municipais. Candidatos criticam tratamento desigual na corrida por cargos internos do partido no poder em Angola.

O Congresso do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) de dezembro, que deve reeleger João Lourenço na liderança do partido no poder, é precedido de conferências em que são eleitos dirigentes das estruturas de base. Contudo, estas eleições ficaram marcadas por denúncias de irregularidades em alguns comités distritais e municipais.

O MPLA experimenta, mais uma vez, o modelo de múltiplas candidaturas na escolha dos seus dirigentes. A primeira foi em 2019 no congresso da JMPLA, braço juvenil do partido.

Entretanto, diversos vídeos vazados nas redes sociais mostram o descontentamento dos candidatos dos comités do Nova Vida e Kilamba.

Um exemplo disso foi o vídeo divulgado pela candidata do Kilamba Majoryth Joia, em que denuncia a falta de tratamento igualitário entre os candidatos. Kilamba ainda afirma que está entre os que solicitaram a lista dos delegados, mas tiveram seu pedido negado.

“Penso que o mais justo enquanto candidata é que sejamos tratados de forma igual. São inúmeras irregularidades que notamos”, critica.

Nome manchado

Citado pela agência de notícias angolana Angop, o primeiro secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento, elogiou o nível de organização das conferências.

O político considera as denúncias como obstáculos à realização das conferências, “manchando o nome do MPLA e divisões”.

O politólogo Agostinho Sikato esclarece que o partido habituou seus membros a uma unanimidade e apoios muito claros e, portanto, seus militantes sempre souberam que “a direção escolhe quem vai renovar o mandato”.

Contudo, Sikato sublinha que houve alterações sobre o entendimento de como devem funcionar as eleições. “As reclamações que surgem a seguir são claros sinais de que também há transformações no MPLA, isto, do ponto de vista da democracia que queremos construir”, resume.

Falsa democracia

O novo modelo de eleição no MPLA deve garantir uma competição real e não a promoção de uma “falsa” democracia interna no partido, defende o jornalista e analista político Ilídio Manuel. Afirma também que no Kwanza Sul também houve reclamações de irregularidades na escolha dos divergentes das estruturas de base do MPLA. “Espero que isso não tenha acontecido em todas as zonas sob pena de termos uma democracia falseada”, completa.

Após ter realizado até ao princípio deste mês as conferências comunais, distritais e municipais, o partido agora avança com a escolha dos secretários provinciais. Em dezembro, o MPLA realiza o seu VIII Congresso.

O líder João Lourenço já recebe apoio para a sua reeleição. Ilídio Manuel afirma ser cético em relação a múltiplas candidaturas para a presidência do partido. Explica que a imagem de Lourenço está desgastada devido a promessas não cumpridas durante seu mandato e, portanto, pensa “que seria muito arriscado avançar” com o incentivo as candidaturas múltiplas.

Agostinho Sikato entende que este modelo será um facto depois do conclave de dezembro, na eleição da juventude do partido. O analista acredita, contudo, que a mudança vem tarde “porque em relação a este quesito o MPLA é ultrapassado até pelos partidos menores”.

 

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