Angola: Do discurso de victória de Joe Biden

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Por ironia do destino ou então ironicamente, há aqui uma espécie de “continuidade da continuação”, ou seja, D. Trump prometeu fazer dos EUA grande, mas a semelhança de B. Obama no seu segundo mandato, acabou por enfraquecer como expliquei numa outra ocasião.

Portanto, J. Biden indirectamente voltou a prometer o mesmo, isso é, fazer da América Grande como continuidade do desejo de Trump, o seu mais novo. O que equivale “ao regressar do mais velho – experiente – para demonstrar ao mais novo – atrevido – como se faz América Grande”.

É assim que no primeiro discurso proferido, profundo, à altura de um Estadista que após merecer legitimidade, dirigiu-se para o lugar onde reside a soberania em democracia a fim de consolidar o compromisso marcado por via das urnas e a esperança na confiança depositada na sua pessoa para presidir América.

Nessa senda, J. Biden prometeu “restaurar a alma dos EUA”, como alguém que tem noção do quão frágil ou vulnerável (desde o ponto de vista da geopolítica e do status quo) está o seu país, daí que deseja repor o “respeito pelo mundo novamente” no Sistema Internacional.

Embora que não tendo dito da mesma forma, isso equivale ao mesmo de D. Trump em 2016 quando prometeu fazer da América Grande e através disso ressurgir o sentimento de pertença e de patriotismo que paira entre os cidadãos norte americanos, pois, que, J. Biden como sinal de “alguém que chegou onde chegou com bênção de Deus e governará com a ajuda do mesmo” não deixou de recorrer a bíblia para dizer que “chegou o tempo, o tempo para curar, curarmos os EUA”, ao meu ver, o orgulho ferido causado pelo fracasso do mandato do seu antecessor que originou a redução da importância, do financiamento e do impacto do seu país (elementos de demonstração de poder) perante às organizações internacionais e perante ao mundo, a exemplo do que aconteceu nos anos e depois de 1917/18 – 1945/99, principalmente.

Joe Biden, ao ter dito que “vai recorrer à ciência” para dar seguimento ao programa de saúde pública no âmbito da COVID-19, bem como para montar a sua equipe, reitera e chama a atenção (embora que indirectamente) aos outros líderes, sobretudo, africanos para a necessidade de se fazer política com ciência, ou seja que se tem que contar com os cientistas e/ou académicos para a elaboração de estratégias, decisões e sustentabilidade dos discursos do líder na senda da prestação de contas, por um lado. Por outro lado, aproveitou dar uma lição de democracia quando disse que “vou governar para aqueles que votaram a favor como para aqueles que votaram contra e os cidadãos que não votaram”, tal como um bom filósofo na perspectiva Platónica, “ouvir até às coisas que não se quer ouvir” e pedindo aos cidadãos que façam o mesmo exercício, no concernente a liberdade de expressão, para buscar consensos e levar em consideração os problemas que afligem as minorias.

Com a noção de que é impossível fazer da América Grande desunida, prometeu, também, unir o país “não pode haver nos EUA, América azul para uns e vermelha para outros”, dito de outro modo, sem desprimor dos mais variados grupos sociais que compõem o tecido norte americano, onde os gays, trangeneses, heteros, imigrantes, latinos, afro-americanos e outros gozarão dos mesmos “direitos iguais” contrariamente ao cenário que se viveu na administração Trump. Essa igualdade de tratamento é sustentada pelo facto de se ter eleito pela primeira vez, para a vice-presidência uma filha de um imigrante.

Quanto a isso, a ver vamos. Pelo que, ainda é prematuro para se acreditar nesse anseio, porém, não é que isso não venha acontecer, também poderá não acontecer e se agravar tendo em conta que os EUA é a Nação onde muitas vezes “a democracia excluí a própria democracia” e parafraseando J. Rousseau “os americanos pensam que são livres mas são apenas de quatro em quatro anos ou em cada momento eleitoral”.

Uma outra nota que não deixa de ser relevante, é o maior desafio para o mandato de J. Biden que tem que ver com a coabitação política em busca de consensos no âmbito da cooperação, principalmente, entre os republicanos e os democratas, na condição de “amantes da pátria” para a realização do programa de governo que visa assim como “a águia” o símbolo americano, estar ao de cima, no topo da hierarquia entre os Estados para a administração do todo e com os olhos que tudo vê, mesmo a distancia enxergar os conflitos que põem em causa a paz mundial.

Enfim, “viajamos sempre para o passado” como acima expliquei. Fica-se com a impressão de que provavelmente para os cidadãos norte americanos, basta que se lhes prometa fazer da América Grande (ver o programa de governo progressista), em função do contexto e da retórica ou linguagem que o momento determinar que se use, é o suficiente para se ganhar as eleições.

Amilton da Gama

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