Angola: Enterro de Inocêncio Matos já agendado

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Será nesta sexta-feira (27.11). Foi esta quinta-feira feita a 2ª autopsia ao jovem Inocêncio de Matos, conforme exigia a família para realizar o funeral. Matos foi morto numa manifestação contra o Governo.

Finalmente, a segunda autópsia ao jovem Inocêncio Matos realizou-se na tarde desta quinta-feira (26.11), depois de se ultrapassar “os obstáculos” que impediam a sua realização.

Em exclusivo à DW África, o advogado da família, Zola Bambi, garantiu que o reexame do corpo ocorreu na presença de um médico legista independente e um fotógrafo, como exigia a família, e já se pode realizar o enterro.

“Deste modo, tendo-se realizado o reexame do corpo, se não houver impedimento de ordem objetiva, acredito que o funeral vai se realizar amanhã (27.11) no período a ser indicado pela família”, afirma.

Inocêncio Matos terá sido baleado pela polícia no dia 11 de novembro quando se manifestava contra o Governo de João Lourenço. A primeira autópsia foi realizada a 16 de novembro, mas não mereceu a confiança dos familiares que alegam ter sido expulsos da sala onde decorria o exame.

Depois da segunda autópsia, Alfredo Matos, pai de Inocêncio, disse à DW, sem gravar entrevista, que o funeral poderá acontecer no sábado 28 de novembro, em Luanda.

Presidente da República nega impedimento

Entretanto, num encontro entre o Presidente da República e os jovens angolanos realizado esta quinta-feira (26.11), João Lourenço negou que tenha havido impedimento da parte do Governo para que se realize o enterro de Inocêncio Matos.

“Nós acompanhamos tudo que vem acontecendo até hoje, pelo menos. Sei perfeitamente tudo que tem ocorrido até aqui, e porque razão o malogrado não foi enterrado. Não houve nenhum impedimento das autoridades para que ele fosse enterrado”, garante.

E João Lourenço justifica: “Portanto, dito aqui com transmissão em direto, qual é a intenção? É para que as pessoas saibam que passaram 15 dias e as autoridades impediram o enterro do malogrado Inocêncio Matos? Isso não é verdade, é falso”.

E sublinhou que já houve várias datas para a realização do funeral e o mesmo não aconteceu. Lourenço disse que se houvesse impedimento da parte de uma entidade, seria ele mesmo a penalizá-la.

E o estadista desafia: “Apontem-me quem é a autoridade que impediu o enterro, quem foi? Foi polícia? A Procuradoria-Geral da República? Quem foi? Diga-me quem foi e ao meu nível vou tomar medidas sancionatórias contra essa entidade que impediu”.

E João Lourenço questiona: “Vocês acham que 15 anos depois da morte de Jonas Savimbi, cuja transladação do corpo esteve durante este período impedido de acontecer, alguém que resolveu este problema e em pouco prometeu e cumpriu, ia impedir o enterro de Inocêncio Matos? Estão a ver a comparação que estou a fazer?”

Impedimento ultrapassado, mas…

Em reação aos pronunciamentos do Presidente, o advogado da família de Inocêncio Matos insiste que o impasse sobre a autópsia constituiu impedimento do funeral. Segundo Zola Bambi, João Lourenço falou do caso num momento tardio.

“Houve impasse entre os interesses da famílias e as instituições em causa. Quer dizer que houve um desentendimento e deste desentendimento não foi possível realizar funeral. Quer dizer que não haveria nenhuma resposta que não seria dada por certas instituições do Estado”, entende.

Contudo Zola Bambi reconhece: “É certo que foi ultrapassado, mas razões que impediram a realização do funeral foi aquilo que não se conseguiu dissipar antes. Assim, podemos dizer que houve, de fato, estado de impedimento”, assegura o advogado”.

DW África 

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