Angola: General Paka avisa que tumultos “são uma possibilidade”

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Desemprego entre a juventude só pode ser resolvido com fim da “doutoromania” e aumento de cursos e institutos técnicos, diz o general

O conhecido general angolano na reserva, Manuel Mendes de Carvalho Pacavira, mais conhecido por Paka, avisou que convulsões sociais são uma possibilidade em Angola devido ao crescente desemprego entre a juventude.

O General Paka disse que o país precisa de reformular o seu sistema de educação que se deve centrar nas necessidades económicas do país que precisa de técnicos em diversos ramos de actividade.

As declarações do General Paka surgem depois da empresa de informações financeiras e de crédito, Fitch Solutions ter avisado que há um alto grau de risco de instabilidade em Angola.

Numa entrevista à VOA o general alertou o Executivo de João Lourenço, para não hostilizar os jovens que reivindicam seus direitos.

“Caso o governo insistir em violência contra os jovens que se manifestam isto pode desembocar em convulsões sociais sérias”, disse.

“Se não se tomarem algumas medidas urgentes estas manifestações vão-se eternizar porque o problema da má gestão do país pode-nos levar a tumultos porque o maior inimigo do mundo é a fome, não respeita branco, mestiço ou indiano a fome atira todo mundo p’ro chão”, disse.

O general disse que o sistema de educação tem que começar a privilegiar institutos profissionais e abandonar a “doutoromania”.

“Tanto doutor e engenheiros para ir aonde? Vão trabalhar aonde?”, interrogou defendendo a necessidade de se formar jovens em ofícios.

“No tempo da minha mãe você tinha que ter um ofício, saber fazer qualquer coisa porque o nível de desenvolvimento da economia não precisava de doutor ou engenheiro, isso é falso”, disse.

E nós perguntamos a um doutor, o professor João Lukombo Nza Tuzola se o problema estava bem diagnosticado e o académico deu razão ao general.

“Nós temos mais cursos de carácter jurídico e economicista do que profissional como por exemplo um bom mecânico, bom electromecânico”, disse o professor para quem em Angola, “privilegiamos cursos que têm como base um escritório, sentar num gabinete com ar condicionado quando a maioria deveria estar nas oficinas, obras de construção ou campo agrícolas, já que aquelas profissões dos gabinetes não têm a saída desejável”.

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