Angola: Líderes religiosos angolanos fazem apelo à cultura do diálogo

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Os líderes religiosos exortaram, ontem, em Luanda, o incremento da cultura de diálogo e prevenção de reacções ou soluções violentas políticas e sociais, e solicitaram os angolanos a manterem o compromisso com Deus e a Pátria.

O apelo foi feito durante o culto ecuménico, realizado na Paróquia de São Paulo, em alusão aos 45 anos da Independência Nacional, que se assinala no dia 11 de Novembro.

Durante o culto, os religiosos reconheceram o momento crítico que o país atravessa, agravado com aumento do desemprego, fome, violência doméstica, criminalidade, fuga à paternidade e consumo excessivo de álcool.

A representante do Conselho das Igrejas Cristãs em Angola (CICA), Deolinda Teca, enalteceu, na ocasião, os esforços do Governo na preservação das conquistas alcançadas, destacando os acordos de paz, liberdade religiosa e de todas as reformas em curso que constituem a esperança dos angolanos.

A reverenda pediu o Governo para  continuar a trilhar os caminhos do diálogo, pois o processo para o alcance da paz social é constante. Sublinhou que é imprescindível a transparência e a preservação da memória histórica
Quanto à pandemia da Covid-19, a reverenda congratulou-se, de forma particular, com o desempenho dos profissionais da Saúde, Forças de Defesa e Segurança no combate ao novo coronavírus.

A reverenda considerou fundamental a manutenção das medidas para a contenção da propagação do novo coronavírus. Por isso, aconselhou a maximização dos testes comunitários da Covid-19,  sua acessibilidade e o reforço na fiscalização das medidas de prevenção e controlo dos postos fronteiriços.

O arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias,  convidou a classe política a orar, pois a oração ajuda a parar e pensar “nas nossas vidas, na gratidão que devemos ter em tudo na vida”. Encerrou a sua mensagem baseando-se numa passagem bíblico:  “feliz é a nação, cujo Deus é o Senhor”.

O prelado deixou uma mensagem de fé e de esperança  para os angolanos , e referiu que o encontro não foi um simples sentimento nostágico, mas sim conhecer a origem da angolanidade.

Por sua vez, o bispo da Igreja Metodista Unida de Angola (IMUA), Gaspar Domingos, destacou o encontro entre as várias denominações religiosas, referindo que o mesmo  significa o esquecer de momentos de angustia, sofrimento e desespero entre os aqueles que viveram e lutaram e acreditaram para alcance da independência de Angola.

Mensagem do Governo

O ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Jomo Fortunato, considera fundamental que se coloca, em agenda, questões sobre o papel das igrejas ao longo do percurso histórico, para afirmação do nacionalismo angolano.
Jomo Fortunato sublinhou que, deste modo, as igrejas, através dos seus membros, desempenharam um papel preponderante no processo do surgimento da consciência nacionalista para a luta de libertação e da independência nacional.

O ministro espera que as igrejas e todas as forças vivas assumam o seu papel na promoção dos valores morais, cívicos e patrióticos. Realçou que é importante que se preste uma atenção especial na construção de uma consciência de amor à pátria e promoção da acção social em todas as suas variantes.

Sob o lema “Angola não tema: o Senhor está contigo!” o culto reuniu, além de representantes religiosos, mais de 206 féis de 80 denominações religiosas, entidades governamentais e vários grupos da sociedade civil. Os cristãos reuniram com um único objectivo: orar pela nação angolana e para solução dos vários problemas sociais e económicos que o país atravessa.

  Os angolanos devem exaltar os ganhos da Independência

O presidente do Fórum Cristão de Angola (FCA), reverendo Luís Nguimbi, disse, durante o culto ecuménico, que os angolanos devem separar os ganhos da independência das metas políticas, concedidas por Deus para a liberdade aos povos.

O reverendo pediu aos órgão de comunicação social a pautarem pela diferenciação dos seus serviços e divulgarem em maior escala notícias de interesse da sociedade angolana.
Luís Nguimbi garantiu que a igreja vai continuar a trabalhar com todos os políticos, para acabar com o mal-estar, rogando a calma entre os angolanos.

“A única maneira de resolver os problemas é a calma. Desta forma, podemos abrir um quadro de reflexão, diálogo para percebermos o que nos faz mal e que caminhos a seguir para acabar com estes males”.
A secretária-geral do Conselho das Igrejas Cristãs em Angola, reverenda Deolinda Dorcas Teca, considerou que a independência é um ganho que deve ser exaltado por todos os angolanos.

A reverenda Deolinda Dorcas Teca, que reagia sobre o papel da igreja no combate às más prática na sociedade, apregoou a necessidade de mais organização e disciplina.
Em relação às manifestações, que têm vindo a ser programadas um pouco pelo país, admitiu que, caso sejam autorizados, devem obedecer às regras das autoridades do Estado.

A responsável do CICA pediu igualmente a calma para preservação da paz, sobretudo a promoção do espírito de diálogo entre as pessoas no intuito de se encontrar consensos nos objectivos do país.
“Sabemos que as manifestações são formas das pessoas exporem os seus problemas e defenderem os seus direitos, mas é necessário que seja num espírito pacífico”.

O bispo auxiliar da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Tocoísta), Fernando Kibeta, que agradeceu a Deus pelo “grande encontro da família cristã”, disse que o mais importante é a mudança de mentalidade, transformação dos corações para que amor seja um facto.

Fernando Kibeta realçou que a independência foi a maior  aspiração do povo angolano, depois de quase quinhentos anos sob jugo colonial.

O bispo auxiliar recordou que a independência é uma conquista travada por várias gerações que culminou em 1975, sendo a maior vitória do povo angolano. “Precisamos de trabalhar para que a independência não seja apenas política, mas também económica”, sublinhou.

Texto do JA

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