Angola: Ministro do Interior reitera que não serão permitidas manifestações da quarta-feira

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Na inauguração do Centro Integrado de Segurança Pública em Benguela, Eugénio Laborinho lembra decreto sobre estado de calamidade

O ministro angolano do Interior, Eugénio Laborinho, afirmou nesta segunda-feira, 9, que as forças de segurança não vão permitir ajuntamentos com mais de cinco pessoas, em obediência ao decreto presidencial que actualiza o estado de calamidade pública.

Confrontado pela VOA na província de Benguela, o governante não pôde garantir um ambiente sem os confrontos do passado dia 24, mas admitiu que as manifestações são um imperativo legal.

Eugénio Laborinho prestou estas declarações no final do acto de inauguração do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), equipado com dispositivos de videovigilância, que terá, para o caso das manifestações, a mesma utilidade do de Luanda, em funcionamento desde o ano passado.

“Em tempo real, se houver qualquer manifestação, nas cidades de Luanda e Benguela, o CISP vai controlar qualquer tipo de movimento. Não garanto (que não haja confronto), desde que respeitem a lei… e também a segurança pública’’, afirma o ministro.

Ele acrescenta que, “pacificamente, as pessoas estão autorizadas, mas devem respeitar o decreto, ajuntamento com mais de cinco pessoas é violação’’.

Entretanto, estes argumentos não convencem o presidente da Organização de Estudantes de Direito para a Cidadania, Gabriel Kundy, um dos activistas que vão estar em encontro de concertação com o comandante provincial da Polícia e delegado do Interior em Benguela.

“O senhor ministro, no fundo, só não quis dizer abertamente que não querem manifestações. Ajuntamento há em todos os sítios, vi hoje no banco, mais de 10 pessoas numa fila”, conta.

Kundy acrescenta que “a nossa Polícia, os seus comandantes, são do MPLA, procura sempre agradar a João Lourenço’’.

A 48 horas da manifestação anunciada, activistas cívicos aguardam pela resposta das autoridades ao anúncio feito na última semana, mas realçam que vão às ruas, num protesto contra o custo de vida e pelas autarquias, no dia do quadragésimo quinto aniversário da Independência Nacional.

O CISP de Benguela foi inaugurado pelo ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança da Presidência da República, Pedro Sebastião.

Texto do VOA

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