Angola: O posicionamento dos deputados independentes

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Depois dos últimos acontecimentos em torno de um Deputado Independente, a figura de Deputado Independente na nossa praça política, tem suscitado muito interesse por parte dos estudiosos da política nacional.

É de praxe, para nós, tentar compreender a política tal como ela é verdadeiramente e como se prática, com as suas finalidades e os seus meios específicos, os quais, às vezes, não coincidem com os da moral. Porque as regras da acção, quando os efeitos desta se repercutem em toda uma comunidade e são julgados em função do maior benefício colectivo, são diferentes de quando eles têm apenas a ver com a realização pessoal. Desta assimetria, realização pessoal ou interesse colectivo, a ética partidária representa obviamente, um elemento a ter em conta na reflexão sobre a figura de Deputado Independente, visto que não pode ser ignorada quando se trata de acções que podem pôr em causa a visão ideológica de uma força política, inevitavelmente avaliada em função de valores e normas reconhecida no interior de uma sociedade. Além disso, a Ideologia partidária é, ao longo dos tempos modernos, um instrumento de acção política por parte de grupos que se revoltam em nome de determinados valores ou condenam a atuação dos governantes por não respeitarem princípios morais e aspectos importantes para uma sã convivência.

Por outro lado, as revoluções politicas, acto político por excelência na modernidade, fazem-se em nome de valores e invocam, todas elas, a virtude. E a opinião pública, por seu turno, vai questionando cada vez o comportamento dos nossos políticos.

Portanto os Partidos Políticos, sendo organizações de interesse público, as suas ações criam factos políticos que merecem a nossa atenção.

Os Partido da Oposição, forças que mais personalidades independente alistam, têm falhado na forma como convidam estes para as suas fileira sem mesmo a observação de critérios partidário ideológico básicos. Sendo assim, indivíduos com um carácter claudicante e sem uma identidade ideológica clara e definida, acabam chegando á Assembleia Nacional.

Entretanto, uma força que ambiciona o poder, não pode comprar problemas, trazendo mesmo para a sua casa personalidades independente com uma trajetória política e corrente ideológica conflituosa.

Toda força política que luta pelo poder, tem um plano de governo, uma disciplina partidária e uma matriz ideológica.

A orientação ideológica e as posições são máximas que norteiam qualquer organização política. Os partidos, principalmente os da oposição, têm falhado na forma como conduzem o processo de seleção de canditados independentes. Este processo, muitas vezes, ocorrem sem um rigoroso critério e desta forma são alistados candidatos á Deputado Independente individualidades com uma agenda contrária e sem nenhum comprometimento partidário. Estes, muitas vezes, são alistados em lugares cimeiros, em detrimento dos militantes da casa com longos anos de lealdade partidária. Um Deputado Independente, assim como outros Deputados, são livres na sua análise e autônomo na sua decisão. Esta liberdade, não pressupõe o desrespeito ao plano e ou a ideologia partidária. Muitos casos são em que há um claro desalinhamento entre a força partidária e o Deputado Independente. Momentos há em que nos confrontamos com situação de histeria total, onde a liberdade começa ganhar uma configuração de rebeldia. É preciso ter em conta que, a afluência dos militantes e simpatizantes do partido é a razão da eventual ascendência á Deputado . Logo, há cá responsabilidades e comprometimento com os eleitores que vai mais para além da qualidade de independente. Portanto, é preciso fazer uma clara distinção entre independência e anarquismo para não caímos no descrédito, assim como temos assistido com muitos ditos Deputados Independentes.

É bem verdade que o novo paradigma trouxe esta figura já a muito usado em outras paragem, mas em Angola, os últimos que tivemos, foram sempre personagens com perfis muito fora do contexto dos padrões normais de um Deputado Independente no verdadeiro sentido.

Os mesmo não apresentam um posicionamento digno, sem o mínimo de lealdade partidária, muitas das vezes optando mesmo por uma postura de ” filho rebelde”.

Portanto, a experiência em si revela-nos que os partido têm minimizado ou ignorado estes aspectos e pagam caro no decorrer da legislatura.

António Correio

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