Angola: Ruas de Luanda voltam a “ser palco de protestos contra governação”

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Dezenas de angolanos saíram às ruas este sábado (20.03) para exigir justiça em alegados casos de corrupção, e pedir eleições autárquicas. Novas manifestações contra o Governo são previstas para as próximas semanas.

Dezenas de manifestantes concentraram-se este sábado (20.03) no Largo do Cemitério da Santa Ana com destino à Praça da Independência – o local onde foi proclamada a Independência angolana, em 1975, pelo então Presidente da República de Angola e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), António Agostinho Neto.

A marcha aderida por jovens, políticos, líderes associativos e zungueras percorreu a avenida Diolinda Rodrigues, uma das maiores de Luanda.

“O que está por detrás desta marcha é exigir ao Presidente eleições autárquicas já e sem rodeios”, disse o ativista Geremias Benedito, conhecido por “Dito Dalí”.

Durante a marcha foram entoados cânticos como “se a polícia limpa o lixo, a culpa é do MPLA”, numa alusão aos agentes da polícia e das Forças Armadas Angolanas (FAA) que ao longo da avenida retiravam os residuos sólidos que se registam neste momento na capital angolana. Nos últimos meses, o excesso de lixo está a gerar debates sobre este problema em Luanda.

Reinvidicações

“Eu participo desta manifestação porque estou desempregado, preciso de emprego”, desabafou Bernardo João, um manifestante.

“O Presidente da República tem que exonerar Edeltrudes Costa”, salientou Mateus Francisco, outro participante.

Na chegada ao Largo da 1º de Maio, local de destino da marcha, e onde se encontra a estátua do primeiro chefe de Estado angolano, os manifestantes cantavam: “Meu herói é Inocêncio, não é Agostinho Neto”, em alusão a Inocêncio Matos, o jovem manifestante morto durante um protesto em Angola, em novembro de 2020.

Na Praça da Independência, que contou com uma forte presença da polícia, ouvia-se mensagens que exortavam a exoneração de Manuel Pereira da Silva “Manico”do cargo de Presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Em declarações à DW África, “Dito Dalí”, um dos organizadores, também pediu que o presidente da CNE ‘Manico’ seja exonerado. “É preciso que se tenha uma reforma na CNE para estar em conformidade com o modelo da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral]”.

Também ouviu-se durante o protesto o pedido de exoneração de Edeltrudes Costa, diretor de gabinete do Presidente angolano João Lourenço, alegadamente envolvido num suposto escândalo de corrupção, reportado em 2020 pela televisão portuguesa TVI.

Apesar de a Procuradoria-geral da República de Angola ter já prometido uma investigação ao “braço direito” de Lourenço, o ativista “Dito Dali” defende que “a exoneração deve acontecer já”. “Ele [Edeltrudes Costa] é acusado de ter sido facilitado a ganhar contrato público e ainda ‘pegar no dinheiro’ e comprar bens de luxo em Portugal”, disse.

Autárquicas em Angola, “muitas discussões”

A questão das eleições autárquias é um assunto que tem levantado muitas discussões em Angola, e também foi um dos motivos do protesto. Ainda falta a proposta de Lei de Institucionalização das Autarquias Locais, numa altura em que já foi aprovada a proposta de lei de revisão pontual da Constituição, que vai a discussão nas comissões de especialidades.

Questionado sobre se acreditava que as eleições serão realizadas este ano, Geremias Benedito disse que sim. “Eu acredito que serão realizadas em 2021, e devem ser realizadas sem rodeios. Para isso, basta ter vontade política”, afirmou.

Mais protestos de rua são previstos para as próximas semanas, revelou o ativista.  No “próximo sábado não serão realizadas manifestações. Mas, no sábado seguinte, sim. Será assim até que atendam as nossas reivindicações”, disse.

Contrariamente às manifestações realizadas em finas de 2020, que foram fortemente reprimidas pela polícia, e que resultam na morte e detenção de manifestantes, o protesto deste sábado (20.03) decorreu pacificamente.

 

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