Angola: “Se alguns professores do ensino superior não fossem Políticos”? – Dorivaldo Manuel Dorival

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Todo ser dotado de consciência moral, que se dedica a observar as partes “das causas últimas e de todas coisas”, sabe que a importância da educação, ciência e tecnologia proporcionada pelos professores a fim de haver racionalidade diante das actividades das relações humanas é helénica.
Pois, segundo uma sequência lógica, sistemática e objectiva do tempo, verificamos que o Filósofo socialista Platão, na antiguidade, foi o primeiro a enfatizar a SOFIOCRACIA como governo dos capazes ou dos sábios. Porém, aquele magno pensador aconselhou face uma perspectiva ideal que os sábios seriam os filósofos políticos, cujo conselho é uma realidade que foi muito bem fomentada pelos grandes teóricos da Gestão, Administração e Organização como HENRY FAYOL, FREDERICK TAYLOR e outros, que dinamizaram a preponderância daquelas variáveis supra elencadas e especialização dos trabalhadores ou operários, que também podem ser designados por burocratas ou tecnocratas, em fim, até aos políticos servidores.
 
Deste modo, surge a seguinte questão – quem forma na academia o Filósofo Político, burocrata ou tecnocrata, em Angola, é o político ou é o Professor?
 
Deveras, a resposta da questão é tão simples. É o professor. Então, se é o Professor que forma o Deputado, os comandantes das forças armadas e polícias, generais, os juízes, os cientistas sociais, cientistas naturais e aplicados, por que o professor, quer seja à nível doutros ensinos, fundamentalmente o ensino superior, não é assalariado com dignidade, isto é, um salário que lhe estimula sentir-se humano e mais viver para formar e construir o capital humano de Angola?
 
Na verdade, olhando para realidade do ensino superior do meu país, que também é de muitos Angolanos, não tenho dúvida que minha inferência é, intrinsicamente, válida. Embora seja, tenho a certeza que é movida por uma grande racionalidade Cartesiana. Ora, cuja inferência é a seguinte:
 
  • Se os grandes professores de Angola, ou alguns designados catedráticos, que são, quiçá, comprometidos com a ciência e sua produção, não recebessem salário na política face o exercício governamental enquanto burocratas, Deputados ou membros do partido-governante, estes com as suas influências seriam os primeiros a revolucionar o estado do sistema do ensino geral, a partir das qualidades superestruturais e estruturais.
  • Vejamos que é impossível que o professor não seja político ou burocrata a despeito da origem da política como ciência e arte, mas, em Angola, se alguns professores do ensino superior não fossem políticos, penso que os políticos dariam mais valor aos professores, porque estes serveriam para servi-los de sabedorias a fim de aprenderem a servir bem no exercício da política ou da consolidação do poder.
PORTANTO, eu não sou professor público, mas sou professor e produtor de uma obra científica que pensa Angola com Ciência e tecnologia como poder real, latente e prestígio. Com essa máxima quero dizer que me solidarizo com a FALTA DE RESPEITO da classe dos que produzem os funcionários da AGT, ENDIAMA, SONANGOL, BNA, Ministério das Finanças e outros sectores laborais públicos em que cujos funcionários são altamente remunerados, mas os seus formadores ou professores continuam na miséria, sem prestígios e privilégios que só alguns professores que também são políticos sentem, porque não sentem enquanto professores.
 
Deste modo, estimulo que HAJA, SIM, GREVE para valorização e aperçoamento das lacunas dos sistemas de ensino – Então, é justo um(a) professor(a) Mestre ou Doutor(a), PhD andar a pé, não ter carro e um salário que lhe estimula produzir, investigar e sempre se capacitar? Jamais seremos Estado Director em África sem valorização máxima do sector da educação, Ciência e Tecnologia.
 
Dorivaldo Manuel Dorival
Cientista Política pela UAN-FCS
 
 
 
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