Banco Nacional de Angola ajusta política de liberalização cambial

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O Banco Nacional de Angola (BNA) prosseguiu no segundo trimestre do ano em curso com o processo de liberalização do mercado cambial, tendo aperfeiçoado os procedimentos operacionais relativos às transacções de cambiais realizadas a partir da plataforma da Bloomberg (entre as empresas petrolíferas e os bancos comerciais).

Relatório sustenta que no segundo trimestre a oferta dos cambiais foi mais modesta em relação ao período anterior

Segundo o relatório de análise da conjuntura económica e financeira do BNA, a instituição actualizou também a regulamentação referente às operações cambiais entre bancos comerciais e empresas do sector diamantífero, através do aviso nº13/2020, de 19 Maio.

No que concerne à oferta de divisas, o documento enfatiza que, no segundo trimestre, a oferta foi mais modesta, tendo as compras dos bancos comerciais totalizado o valor de  1,79 mil milhões de dólares contra 3,02 mil milhões no primeiro trimestre.
Deste montante, sustenta o documento, 893,74 milhões foram adquiridos ao BNA e 895,29 milhões ao mercado, dos quais 511,25 milhões foram adquiridos às empresas petrolíferas.

No total, os bancos comerciais adquiriram das companhias petrolíferas, diamantíferas e de outros sectores da economia divisas no valor de 895,29 milhões de dólares, uma redução de 27,23 por cento comparativamente ao primeiro trimestre.
O documento sustenta que as operações de compra e venda de divisas realizadas no mercado culminaram numa taxa de câmbio de 578,92 dólar/kz no final do período, o que corresponde a uma depreciação do kwanza em relação ao dólar norte-americano e de 9,30 por cento ante os 10,15 observados no primeiro trimestre.

Nesse período, a actividade económica também foi afectada pela pandemia, com o Indicador de Clima Económico a sinalizar uma conjuntura económica mais desfavorável a curto prazo.
Esta situação, sustenta o relatório, indicia que a oferta de bens e serviços tenderá a ser limitada nos trimestres seguintes, podendo vir a acentuar a tendência de recessão do Produto Interno Bruto (PIB), que no primeiro trimestre contraiu 1,8 por cento, após ter registado uma variação negativa de 0,6 por cento no quarto trimestre de 2019 e uma estagnação no período homólogo de 2019.

No sector externo, destaca-se a deterioração do saldo da conta de bens, comparativamente ao primeiro trimestre, diante da contínua redução do valor das exportações que suplantou a queda do valor das importações.
Esta deterioração levou à diminuição dos activos externos, com destaque para o stock das Reservas Internacionais Brutas (RIB), que reduziu em 5,13 por cento no trimestre, atingindo 15,58 mil milhões de dólares, equivalente a 11,76 meses de importações de bens e serviços.

Como consequência, a oferta de moeda estrangeira no mercado cambial acabou por ser mais restrita, tendo o BNA disponibilizado nos leilões de divisas aos bancos comerciais um montante de 893,74 milhões de dólares, valor inferior aos 1,79 mil milhões, transaccionados no primeiro trimestre de 2020.

Durante os últimos três meses, o CPM procedeu à avaliação dos possíveis impactos da pandemia de Covid-19 sobre a economia nacional, com particular atenção nas contas externas e as suas implicações na condução da política monetária e cambial. Nesta vertente, decidiu pela activação da Facilidade de Cedência de Liquidez.

Jornal de Angola 

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