COVID-19 e crise económica: os males necessários para o MPLA

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Luanda – A sociedade angolana já deve estar habituada com as sucessivas desculpas e os fracassos do MPLA em aproveitar os fenómenos naturais e humanos para justificar os incumprimentos das suas promessas eleitorais e outras. Se nos recordamos no passado recente, todo inconveniente que acontecia no país, era por culpa da guerra, onde a UNITA era considerada o partido que não deixava a realização dos angolanos.

Com muita crítica por parte da sociedade civil, sobretudo, o MPLA desistiu da perpetuação daquelas desculpas, evoluindo para outras, com maior realce o da crise económica resultante do baixo preço do diamante em 2008, justificação que foi aproveitada nas vésperas das eleições legislativa no mesmo ano (2008), realizadas no quadradro da lei Constitucional de 1992.

Chegando nas eleições gerais de 2012, onde o MPLA, sempre com as suas hilariantes promessas eleitorais, como a promessa pública de construção de 1.000.000 fogos habitacionais, por azar ou sorte eclodiu a crise mundial da baixa do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, nos finais de 2014, que mais uma vez serviu de subterfúgio do incumprimento da promessa.

De lá para cá, o MPLA tem aproveitado esta evasiva para que de forma continuada possa justificar os seus falhanços.

Quanto a COVID-19, é necessário vermos o ângulo positivo em que o MPLA tem sabido tirar vantagens políticas, para mais uma vez justificar até o injustificável.

Fazendo parecer que está sempre ao lado da defesa das vidas, mas depois se percebe que há por detrás uma estratégias de tornar o mal da humanidade em conveniência oportuna.

Prova disso, acompanhamos o discurso do Presidente da República proferido nas Nações Unidas, dizendo que “os recursos que seriam para alavancar a economia serviram para combater o COVI-19”, ficando justificado o não cumprimento da promessa dos 500 mil empregos, por conta da pandemia.

O Decreto Presidencial 276/20 de 23 de Outubro, que teve uma publicação record no Diário da República, uma velocidade nunca vista para a entrada em vigor de uma norma, visou claramente impedir a realização da manifestação do dia 24 de Outubro de 2020.

Com esse comportamento do Poder, nada garante aos jovens que agendaram uma outra manifestação para o dia 11 de Novembro de 2020, que desta vez não se fará aprovar na Assembleia Nacional um novo Estado de Emergência, com interesses biformes.

Contudo, estes males, como a COVID-19 e outros, têm sido os males oportunos para se “isentar” o MPLA de algumas responsabilidades e consequências política-eleitorais dos incumprimentos das promessas irrealistas que faz.

Horácio Nsimba

Especialista em Relações Internacionais e Docente Universitário.

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