COVID-19: Rendimento na “África subsaariana” só vai recuperar da pandemia após 2022 – FMI

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A África subsaariana “vai recuperar algum terreno este ano”, em relação a 2019, mas as dificuldades na distribuição das vacinas estão a atrasar a recuperação de curto prazo.

O nível de rendimento per capita na África subsaariana só voltará aos níveis de 2019 a seguir a 2022, estimou esta quinta-feira o diretor do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI), Abebe Aemro Selassie.

“A região vai recuperar algum terreno este ano, mas o rendimento per capita[por pessoa] não regressa aos níveis de 2019 até depois de 2022, e a evolução económica causou alguma deslocação social, daí que o nível de rendimento per capita só regressará ao nível antes da pandemia em 2025 nalguns países”, disse o responsável, durante a apresentação do relatório sobre as Perspetivas Económicas Regionais: África subsaariana, em Washington.

O número de pessoas em pobreza extrema aumentou 32 milhões só no ano passado“, acrescentou Selassie, vincando que a pandemia “causou também uma perda tremenda na educação, com os alunos africanos a perderem 67 dias de aulas, mais de quatro vezes os dias de aulas perdidos pelas crianças dos países avançados”.

No relatório, o FMI prevê que as economias da África subsaariana cresçam 3,4% este ano, depois de terem registado uma contração histórica de 1,9% no ano passado.

A África subsaariana diverge do mundo, com constrangimentos no espaço orçamental e a distribuição de vacinas a atrasarem a recuperação de curto prazo”, alertou Selassie, acrescentando que enquanto as economias mais avançadas “deram um apoio financeiro extraordinário, que agora alimenta a recuperação económica, para a maioria dos países da região isto não é uma opção” devido às fracas condições financeiras.

Relativamente às prioridades em termos de políticas públicas, Selassie disse que a principal prioridade é “salvar vidas“, sendo necessário um aumento da despesa no sistema de saúde e nos esforços de contenção da pandemia, além da distribuição de vacinas.

A segunda prioridade, elencou, é “reforçar a recuperação económica e desbloquear o potencial de crescimento com reformas ousadas e transformacionais, que nunca foram tão urgentes como agora, e apostar na proteção social, na digitalização e na transparência da governação, além da adaptação às mudanças climáticas”.

A necessidade de aumentar a despesa para fazer face à pandemia e garantir a recuperação económica não vai ser uma tarefa fácil, reconheceu Selassie, mas é, ainda assim, necessária.

“Fazer isto ao mesmo tempo que as economias cicatrizam da pandemia vai requerer escolhas políticas difíceis, não temos dúvida sobre isso, os países vão ter de apertar o espaço orçamental para lidar com as vulnerabilidades da dívida e restaurar a saúde das contas públicas a médio prazo, principalmente nos 17 países da região que estão em elevado risco ou já numa situação de debt distress [dificuldades com a dívida]”, disse Selassie.

Perseguindo ações de mobilização da receita interna, escolhendo prioridades para a despesa, e gerindo mais eficazmente a dívida pública, os decisores políticos africanos podem criar o espaço orçamental necessário para investir na recuperação económica, mas a região não consegue fazer isso sozinha”, afirmou o diretor do departamento africano do Fundo.

Defendendo mais apoios da comunidade internacional, nomeadamente através de doações e de empréstimos concessionais, Selassie lembrou que a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) deverá fornecer um alívio equivalente a 6,5 mil milhões de dólares, cerca de 5,5 mil milhões de euros, desde a implementação, em abril de 2002, até meio deste ano.

A isto, concluiu, juntam-se os programas de apoio do FMI e a emissão de Direitos Especiais de Saque (DES), no valor de 650 mil milhões de dólares (550 mil milhões de euros), dos quais 23 mil milhões de dólares (19,1 mil milhões de euros) estarão, em agosto, ao dispor dos bancos centrais da África subsaariana.

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