COVID-19: Um prato de comida na mão e uma dança angolana que pôs o mundo a mexer

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Com um prato de comida na mão e uns toques de dança, ao som de uma música sul-africana, dançarinos angolanos festejaram, em tempo de pandemia de covid-19, o seu quinto aniversário, sem imaginar que a celebração iria correr mundo.

O grupo chama-se “Fenómenos do Semba” e celebrizou-se pela “dança da Jerusalema”, que ganhou adeptos em todo o mundo depois do vídeo de aniversário chegar às redes sociais e se tornar viral.

“Colocámos nas redes sociais [a coreografia] e em dois dias já tínhamos dois milhões de visualizações e assim foi o sucesso do Jerusalema”, explicou o responsável do grupo, Adilson Maíza, em declarações à agência Lusa.

Tudo aconteceu em fevereiro deste ano, quando o grupo se reuniu para festejar o quinto ano da sua existência e, em ambiente restrito, devido à covid-19, decidiu, com os pratos de comida na mão, pôr-se a dançar a denominada “dança da família”, típica de Angola, ao som da música “Jerulasema Ikayalami”, do DJ e da cantora sul-africanos Master KG e Nomcebo Zikobe.

Os “Fenómenos do Semba” surgiram em 2015 e integram 10 elementos, entre os quais o seu mentor, Adilson Maíza, de 24 anos, bailarino, professor, coreógrafo de danças africanas e técnico superior de gestão aeronáutica.

O dançarino conheceu a música por intermédio de um dos integrantes do grupo, que, em janeiro deste ano, esteve na África do Sul num festival e ouviu a “Jerusalema”.

“Trouxe-nos a música, fomos ver a letra e condizia com aquilo que estávamos a viver no momento, estávamos a curtir o aniversário, mas quase sem nada, então a música nos motivou, de certa forma, a poder continuar, mesmo sem possibilidade para festejar”, contou.

Para Maíza, a dança contribuiu claramente para que a música se tornasse mais conhecida, frisando que antes não era ouvida em muitos lugares, mesmo em países africanos, para onde viajaram antes de atingir sucesso planetário.

“Já viajámos pelo mundo em prol da cultura nacional, a divulgar a cultura nacional, ministrar ‘workshops’, aulas de dança, e nunca ouvimos essa música. Fez-nos ouvir o nosso colega”, reforçou.

Segundo Adilson Maíza, desde o momento em que publicaram o vídeo, as pessoas passaram a seguir o ‘challenge’ (desafio) que criaram e iam buscar a música para dançar, promovendo a sua propagação a nível mundial, projetando o sucesso da música, tal como da coreografia.

“Nós ainda não tivemos um contacto direto com o músico, mas desde o momento em que ele se apercebeu que são jovens angolanos que criaram o ‘challenge’, ele passou a seguir-nos nas redes sociais e numa das entrevistas [que deu] a canais de televisão internacional ele mencionou que realmente são jovens angolanos que criaram isso e fizeram com que a música dele se tornasse viral a nível mundial”, sublinhou.

Adilson Maíza reconheceu que o sucesso da coreografia do grupo se deu também “graças à música”, lançada em 2019, manifestando extremo interesse em colaborar com o DJ Master KG e a cantora Nomcebo Zikobe para realizarem outros trabalhos, musicais e dançantes, “para assim transmitir mais alegria, mais energia positiva, para o público”.

De acordo com o coreógrafo, os elementos do grupo, todos já dançarinos antes de se juntarem no “Fenómenos dos Sembas”, sentem-se felizes e honrados, por terem conseguido, através da dança, elevar o nome de Angola.

“É uma felicidade, porque além de Angola, o mundo todo está a dançar e sabem que são jovens angolanos que criaram o ‘challenge’, a coreografia, que se tornou viral, estamos super felizes por isso”, declarou.

O grupo não sabe em quantos países as pessoas têm dançado ao som de “Jerusalema”, mas realçam que todos os dias, até agora, recebem vídeos novos. Em África, chegam da Nigéria, Costa do Marfim, Congo, Marrocos, Senegal, na Europa, receberam da Polónia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Suíça, Portugal, França, e na América, os movimento inspirados na “dança da família” fazem furor nos Estados Unidos e Brasil.

“Recebemos todos os dias milhares de vídeos novos. Também temos ensinado a coreografia para órgãos do Ministério do Interior de outros países, no caso a polícia, bombeiros, médicos, é uma grande felicidade para nós”, disse o dançarino, informando que disponibilizaram no canal Youtube um tutorial onde ensinam os passos da dança.

A nível interno, a fama já os levou até ao vice-presidente da República, Bornito de Sousa, que os felicitou pelo sucesso e aproveitou para ouvir os projetos e preocupações do grupo.

“Estamos à espera, para que as coisas possam funcionar, porque é bem verdade que o lado da dança em Angola ainda carece de muito apoio, então, esperamos também que o Estado nos apoie, porque se fizemos isso é porque podemos fazer mais, mas com mais apoio, sozinhos não podemos”, frisou.

Adilson Maíza referiu que com o vídeo, os “Fenómenos do Semba” pretenderam mostrar a felicidade e a simplicidade dos africanos, sobretudo a dos angolanos.

“Queríamos mostrar que é possível ser feliz, mesmo com pouco, e em tempo difícil que estamos a passar com a covid-19. Queríamos transmitir às pessoas que mesmo nesse momento difícil elas podem ser felizes, dançar e com os devidos distanciamentos sociais”, salientou Maíza.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.519.213 mortos resultantes de mais de 65,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, desde o final de dezembro de 2019, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

 

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