Deficientes Físicos de Angola (PSDFA) reclamam “apoio do Governo” e pedem censo para saber quantos são

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 O Projeto Social para os Deficientes Físicos de Angola (PSDFA) solicitou hoje ao Governo maior apoio a esta comunidade e a realização do cadastro para se aferir quantas pessoas existem nessa condição no país.

O apelo foi feito por Mário Lopes Cangole, o mentor do PSDFA, em declarações à agência Lusa, depois de ter cancelado um encontro para abordar a “Discriminação Social, Exclusão Social, Desrespeito com as Pessoas com Deficiência” por falta de comparência das pessoas convidadas, entre os quais órgãos de comunicação social.

Mário Lopes Cangole referiu que os problemas que afetam as pessoas com deficiência em Angola são muitos e cada vez maiores, sem merecer a devida atenção do Governo, sociedade civil e algumas instituições.

“As pessoas com deficiência passam grandes necessidades, o objetivo deste projeto é o de apoiar todas as pessoas com deficiência física que vivem ao relento e cadastrar essas pessoas para sabermos quantos somos a nível nacional”, referiu.

O responsável disse que o PSDFA controla atualmente acima de 200 pessoas em todo o país, mas o número é maior, defendendo a necessidade de um novo cadastramento para se aferir também a origem das deficiências desses cidadãos.

“Anteriormente, era registados como pessoa com deficiência física aquele atingido por qualquer situação de guerra, mas terminou a guerra e continua a haver pessoas com deficiência física. Existem pessoas afetadas à nascença, outras por acidentes de viação, acidentes de trabalho e o Estado deve continuar a trabalhar no cadastramento”, adiantou.

Dados do Recenseamento Geral da População e Habitação de Angola, de 2014, indicam que 2,5% do total da população angolana, na altura 25,7 milhões de habitantes, tem alguma deficiência física ou mental, o correspondente a mais 656 mil pessoas, a maior parte delas residentes nas zonas rurais.

Segundo Mário Lopes Cangolo, tem sido solicitado apoio ao Governo e foram dirigidas cartas ao Presidente da República, à primeira-dama da República, à Assembleia Nacional, mas sem respostas.

O responsável disse que o Estado não tem cumprido com as suas responsabilidades, passando-as para as associações, que por sua vez não conseguem fazer muito porque também dependem de doações.

Para o PSDFA, é essencial que o Estado dê abrigo às pessoas com deficiência física e atribua uma pensão mensal de 50.000 kwanzas (106,7 euros), “atendendo a carência de vida no país”.

“E criar uma política de formação para esses cidadãos e mais oportunidades no mercado do trabalho”, disse Mário Lopes Cangolo, sublinhando que é grande a discriminação e a exclusão social.

Mário Lopes Cangolo dá o seu próprio exemplo para ilustrar as dificuldades por que passam os deficientes físicos em Angola, considerando resumidamente “muito difícil” a vida dos deficientes físicos no país.

“Eu sou atleta do Comité Paraolímpico, eu passo necessidades. Vou aos treinos e compito com as minhas muletas, quando se estragam ninguém se responsabiliza, nós praticamos o desporto por amor à camisola, sem nada, sem prémio de jogos”, frisou.

Instado a resumir o dia-a-dia de um deficiente físico em Luanda, Mário Lopes Cangolo apontou como primeira dificuldade a locomoção das pessoas, o que se agrava no tempo de chuvas.

“Nos transportes públicos, principalmente os usuários de cadeiras de rodas enfrentam grandes dificuldades. Eu próprio já fui atacado em mais de uma ocasião por funcionários de companhias de transportes públicos por falta de 50 kwanzas [0,10 euros] para a passagem, mas há um decreto que diz que toda a pessoa com deficiência tem isenção”, contou.

Em véspera de eleições, o responsável do PSDFA lamentou a ausência de políticas concretas viradas para esta franja da população nos programas eleitorais já divulgados.

 

 

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