EUA: Procurador-geral não vai designar equipa especial para investigar alegações de fraude eleitoral ou filho de Biden

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O procurador-geral cessante dos EUA, William Barr, negou a possibilidade de nomear equipa especial para investigar eleições ou o filho de Biden. É um novo revés a Trump, deste seu ex-aliado.

O procurador-geral dos EUA, William Barr, disse que não havia razão para designar uma equipa especial para investigar diretamente as alegações de fraude eleitoral nas eleições presidenciais ou também as suspeitas em torno do filho mais novo do Presidente eleito, Hunter Biden. Esta tomada de posição é mais uma que William Barr toma em sentido contrário do que defende Donald Trump, seu ex-aliado

“A partir do momento em que já existe uma investigação, creio que ela estará a ser dirigida responsável e profissionalmente”, disse William Barr esta segunda-feira, sobre o caso específico das investigações em torno de Hunter Biden, que anunciou a 9 de dezembro estar a ser investigado pelo fisco norte-americano. “Até aqui, não vi nenhuma razão para designar uma equipa especial e não conto fazê-lo até sair”, rematou William Barr.

William Barr foi nomeado para o cargo de procurador-geral dos EUA em fevereiro de 2019, assumindo o lugar que até então cabia a Jeff Sessions. Desagradado com a prestação daquele antigo senador do Alabama, que acusou de não lhe ser leal, Donald Trump nomeou William Barr, que em junho de 2018 já se tinha destacado por ter apresentado espontaneamente ao vice-procurador, Rod Rosenstein, um memorando de 19 páginas onde criticava a investigação em torno do alegado conluio da campanha de Donald Trump com o Kremlin.

Na maior parte do seu mandato, William Barr foi tido como um dos homens mais leais a Donald Trump em Washington D.C.. Em março, pouco depois de ter assumido funções, teve a responsabilidade de publicar uma carta de quatro páginas onde resumia a investigação de Robert Mueller em torno das alegações entre o Kremlin e a campanha de Donald Trump. Na procura de resumir a investigação original (com 488 páginas), William Barr acabava por fazer uma apresentação seletiva da investigação, optando por não expor partes que, embora não comprometendo o Presidente dos EUA, também não o ilibavam — como acabou por ser o caso das suspeitas por obstrução à justiça.

No entanto, na reta final de Donald Trump na Casa Branca, William Barr engrossou as fileiras daqueles que, de uma maneira ou de outra, saíram do lado do Presidente. A 1 de dezembro, deu uma entrevista à Associated Press onde rejeitava a possibilidade de ter havido fraude eleitoral, ao contrário daquilo que Donald Trump dizia à altura e continua a dizer até aqui. “Até à data, não vimos fraude eleitoral numa escala que teria levado a um resultado diferente nestas eleições”, disse naquela altura.

Desde então, a relação de Donald Trump e William Barr piorou, com o Presidente a criticar abertamente o seu procurador-geral. Numa entrevista à Fox News, chegou a sugerir que o FBI e o Departamento de Justiça (este último, dirigido por William Barr) tinham conspirado contra a sua campanha e a favor da eleição de Joe Biden.

William Barr acabou por demitir-se a 14 de dezembro, pouco depois de o Colégio Eleitoral ter confirmado a vitória de Joe Biden nas eleições preisdenciais. A notícia foi dada por Donald Trump, que publicou a carta de demissão de William Barr, onde se lia que a data prevista para o fim das suas funções seria 23 de dezembro, esta quarta-feira.

João de Almeida Dias

OBSERVADOR 

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