HIV-SIDA: Doença mata anualmente 13 mil pessoas em Angola e falta mais recursos

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Cerca de 350 mil pessoas vivem com SIDA e apenas 93 mil fazem a terapia anti-retroviral

A SIDA mata anualmente 13 mil pessoas em Angola, de um total 26 mil novas infecções por ano, alertam a Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA (ANASO) e a ONUSIDA.

As duas organizações chamam a atenção para a gravidade da doença que em 2020 passou para o segundo plano por causa da pandemia da Covid-19.​

Os dados apontam para uma taxa de prevalência de dois por cento, o que significa que 350 mil pessoas em Angola vivem com a SIDA e, segundo a ANASO, apenas 93 mil fazem a terapia anti-retroviral.

Desse total, 13 mil são crianças, das quais apenas cinco mil fazem a tratamento.

António Coelho, da ANASO, disse à VOA que este ano, por causa da Covid-19, os anti-retrovirais ficaram mais escassos e a atenção que se passou a dar à pandemia ofuscou o combate à SIDA que mata muito mais que qualquer outra doença no país.

“Às vezes ficamos com a impressão de que tudo parou e que não se morre mais de SIDA em Angola, já não se morre de malária ou de tuberculose, parece que só se morre de Covid-19, mas é falso porque a SIDA também mata, como a malária e a tuberculose, está cada vez mais difícil porque o dinheiro todo é canalizado para o combate à Covid-19”, lamenta Coelho que aponta um exemplo.

“Contrariamente ao que acontece em países como Moçambique, onde há uma ajuda continuada e sustentada do Pepfar, aqui em Angola temos o apoio a Pepfar apenas no tratamento dos dados, quanto à intervenção nas comunidades deixou de haver, nesta altura do campeonato os apoios tanto da Pepfar, do Fundo Global, do próprio sistema da ONU, isto para não falar do próprio Governo de Angola, que apoiam apenas na aquisição de anti-retrovirais”, afirma.

Entretanto, Michell Kouakou, representante da ONUSIDA em Angola, justifica a redução dos apoios de programas, dizendo que “se não fosse a Covid-19 haveria mais dinheiro para programas como o Pepfar que agora está apoiar o programa de eliminação de transmissão materna suportada pela primeira dama da República de Angola”.

O representante da ONUSIDA anunciou para meados de 2021 a retoma de novos programas de combate à SIDA.

“Temos também o Fundo Global com um novo ciclo de financiamento que arranca em Julho de 2021 e que vai entrar com 82 milhões de dólares, até agora o Pepfar estava em todo o país, decidiu-se que para estes 82 milhões de dólares vão para quatro províncias com destaque e prioridade para a província de Benguela”, disse Kouakou, quem aproveitou para agradecer o apoio que a primeira dama de Angola tem prestado com o programa “Nascer Livre para Brilhar”, que fez baixar a percentagem de crianças que nascem com HIV/SIDA.

O representante da ONUSIDA pediu igualmente mais envolvimento dos homens na luta contra a SIDA no país, que, segundo os dados, tem mais rosto feminino já que das 350 mil novas infecções, 200 mil são mulheres.

A ONU solicita também mais apoio do sector privado no combate à SIDA.

Pepfar com “impacto fantástico” em Angola

Entretanto, em entrevista à VOA, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra o HIV/Sida, a representante do Pepfar em Angola, dra. Evonne Amaka, disse que “o impacto tem sido fantástico, à medida que nos envolvemos mais profundamente nas províncias e continuamos a ajudar a fortalecer a capacidade das unidades de saúde, ao nível das clínicas e hospitais”.

Ela afirmou esperar que “o nosso portfólio actual traga mais financiamento no país, tanto quanto possível para ajudar a controlar a propagação do HIV”.

O Pepfar em Angola continua a trabalhar com o Governo, o Ministério da Saúde e outros ministérios para garantir e fortalecer a estratégia 90-90-90 da Organização Mundial da Saúde.

“Esta estratégia visa garantir que 90 por cento de todas as pessoas que vivem com HIV conheçam o seu estado, que 90 por cento de todas as pessoas com a infecção pelo HIV diagnosticada recebam o tratamento anti-retroviral de que desejam e precisam e que 90 por cento de todas as pessoas a receber essa terapia e tratamento obtenha o que chamamos de supressão viral, a menor quantidade de vírus HIV no corpo, de modo que eles se tornem não detectáveis, tão baixos que parece que o vírus é mínimo no seu sangue e corpo”, explicou Amaka, lembrando que os números actuais estão bem abaixodos anos de 1990.

Aquela representante destacou ainda a iniciativa “Nascer Livre para Brilhar”, que “deu o impulso para abordar uma população crítica, a de mulheres e especialmente mulheres grávidas que podem ser seropositivas e transmitir aos seus filhos, aos seus parceiros sexuais e outras pessoas da comunidade”.

VOA

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