Inglaterra: Capital Economics vê Angola a sair da “recessão”, cinco anos depois

A consultora britânica prevê um crescimento de 1,3% para a economia angolana este ano, acelerando para 4,5% em 2022. Moçambique deverá crescer 3% em 2021.

A Capital Economics prevê que a economia angolana cresça 1,3% este ano, saindo da recessão registada nos últimos cinco anos. O crescimento será, no entanto, “limitado por políticas fiscais e monetárias apertadas”, alerta a consultora.

“Angola vai provavelmente sair de uma recessão de cinco anos este ano, mas o crescimento será limitado por políticas fiscais e monetárias apertadas”, referem os analistas numa nota hoje consultada pela Lusa.

No documento, a Capital Economics apresenta também as suas previsões, estimando para este ano um crescimento de 1,3% do PIB de Angola, que deverá crescer 4,5% em 2022 e 2,0% em 2023.

Quanto à inflação, o índice dos preços no consumidor deverá crescer 25% este ano, 19,3% no próximo e 15,3% no seguinte, de acordo com as previsões da consultora sediada em Londres.

“O setor chave do petróleo deverá recuperar gradualmente à medida que as quotas da OPEP+ forem diminuindo; esperamos que a produção suba de mínimos em anos de 1,1 milhões de barris por dia no segundo trimestre, para 1,3 milhões de barris por dia pelo final do ano”, escrevem, acrescentando que “isto deverá tornar positiva a contribuição do setor petrolífero para o crescimento, pelo menos até ao próximo ano”.

Da mesma forma, os analistas apontam que a recuperação do preço do barril de petróleo vai ajudar a melhorar os balanços de Angola, incluindo através do alargamento do excedente orçamental primário e da redução do peso da dívida pública – de 127% do PIB em 2020 para cerca de 100% este ano. No entanto, alertam que “as autoridades terão de se cingir à consolidação fiscal, o que pesará sobre a procura”.

Os analistas estimam também uma crescente desvalorização do Kwanza face ao dólar nos próximos anos. As previsões da Capital Economics estimam que o Kwanza, que atualmente tem um câmbio de cerca de 640 kwanzas por dólar, desvalorize para 700 kwanzas por dólar até ao final do ano, mantendo-se esta tendência para 2022 (750 kwanzas por dólar) e 2023 (800 kwanzas por dólar).

Moçambique com crescimento de 3%

Para Moçambique, a consultora Capital Economics prevê um crescimento de 3,0%, mas alerta para o risco ao investimento devido à instabilidade no norte do país, em particular devido à suspensão do projeto de exploração de gás natural liquefeito.

“Em Moçambique, a declaração de ‘força maior’ sobre um grande projeto de GNL [gás natural liquefeito], na sequência de repetidos ataques por insurgentes, está a acrescentar novos ventos de proa a uma recuperação já lenta. O abandono do projeto iria prejudicar gravemente as perspetivas de crescimento do país e suscitar preocupações reais sobre a dívida pública”, escrevem os analistas numa nota hoje consultada pela Lusa. “O desejo de investimento em Moçambique está em perigo à medida que os ataques de insurgentes continuam no norte do país”, acrescentam.

A consultora sediada em Londres prevê que o PIB de Moçambique avance 4,0% em 2022 e 4,5% em 2023. O índice dos preços no consumidor deverá crescer 5,5% este ano, 5,8% no próximo e, também, 5,8% no seguinte.

Quer Angola, quer Moçambique ficam abaixo da média para a África Subsaariana, que a consultora prevê expandir-se 4,0% este ano.

 

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