Inglaterra: Tchizé nega participação na Aernergy e sugere à TPA que investigue casal presidencial

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A empresária e ex-deputada Welwistschea dos Santos, filha do antigo presidente de Angola José Eduardo dos Santos, negou, através de sua conta de Instagram, fazer parte da estrutura accionista da empresa Aenergy, que nos últimos dois últimos anos da Administração Dos Santos rubricou uma série de contratos milionários com o Estado angolano, como tem vindo a circular.

No vídeo publicado no seu Instagram, a ex-deputada da bancada parlamentar do MPLA, acusou a Televisão Pública de Angola (TPA) de estar a violar a lei imprensa, pelo facto de o referido órgão de comunicação social estatal ignorar o princípio de cruzamento das fontes nas notícias em que antigos governantes, ou pessoas próximas ao ex-titular do poder executivo, são acusados de corrupção e de terem beneficiado de algum bem de forma irregular.

A filha de José Eduardo dos Santos reagia assim ao conteúdo da série de reportagem “O Banquete’, emitida pela TPA nessa quarta-feira, cujo tema foi a alegada irregularidade dos contratos entre Aenergy e o Estado angolano, no sector dos transportes e energia. Na reportagem, a televisão pública sublinhou que a empresa tem cinco accionistas, e revelou que, em 2013, na alteração do objecto social da Aenergy, foi João Manuel Perdigão Abrantes, tio materno de Tchizé dos Santos, quem assinou a referida alteração.

Visivelmente “zangada”, face à exposição da família, Tchizé dos Santos reagiu assim: “Os bandidos que prepararam essa reportagem, pessoas da TPA, criminosas que estão a violar a lei de imprensa, que estão a violar os direitos humanos, o direito ao contraditório, o direito ao bom nome das pessoas, não me contactaram para ouvir a minha perspetiva? Eu nunca recebi um centavo da tal empresa Aenergy, nunca usufruí de um cêntimo, nunca recebi um dólar, um euro, um kwanza da empresa Aenergy, não faço parte da empresa Aenergy”, desabafou a antiga deputada, tendo acrescentado que a televisão pública está a portar-se como uma “organização criminosa”.

“Ernesto Bartolomeu, que desilusão, meu amigo! Não sei se te ameaçaram de morte, se te ameaçaram que vão te pôr na cadeia? tens o meu número de telefone, tens o meu e-mail, podias me contactar para ao menos perguntar se eu fui sócia, se eu recebi dinheiro da Aenergy, não me perguntaram porquê? Eu não faço parte da Aenergy”, rematou Tchizé dos Santos, que, entre outras, questiona como foi que a actual Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, conseguiu adquirir duas mansões no Alvalade, uma das zonas mais luxuosas da capital do país. E apela à TPA, se for séria, a investigar o casal presidencial.

Queda da Aenergy com a ascensão do novo chefe de Estado

Importa referir que até o início do mandato de João Lourenço, a Aenergy detinha, para além do sector dos transportes, especialmente nos caminhos de ferros, 13 contratos com o Estado angolano no sector da energia. Apesar de a TPA considerar que a Aenergy era inexperiente nos sectores em que celebrou contratos com o Governo, dado que tinha menos de três anos de existência, a empresa, criada em 2012, era, até Dezembro de 2018, a única companhia detentora de um certificado ISO de gestão anti-corrupção em toda África.

Ao que a Camunda News apurou, o Governo saído das eleições-gerais de 2017, liderado por João Lourenço, optou por rescindir todos os 13 contratos que o anterior Executivo havia celebrado com Aenergy no sector da energia, por alegadamente ter recebido informação da empresa norte-americana, General Electric, então fornecedora das turbinas que a Aenergy vendia ao Estado angolano, de que a referida empresa pretendia vender duas vezes as turbinas ao Governo, que valiam mais de 100 milhões de dólares.

Entretanto, a Aenergy, que na altura estimava ter tido um prejuízo de cerca de 400 milhões de dólares, com a rescisão do contrato de forma unilateral por parte do Governo, considera falsa a acusação da norte-americana General Electric, e já abriu um processo contra a General Electric e o Governo angolano, nos Estados Unidos da América.

Em consequência da rescisão dos contratos, até Dezembro de 2019, a Aenergy viu-se forçada a reduzir em 80% o número de trabalhadores, que de 150 passou para 30.

No entanto, a General Electric nega ter prestado informações ao Governo, segundo a qual a empresa angolana estaria a burlar o Estado em pouco mais de 100 milhões de dólares, sublinhando mesmo que o cancelamento dos referidos contratos é uma questão exclusiva entre o Estado angolano e a AEnergia, um processo no qual a General Electric garante “não estar nem um pouco envolvida”.

 

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