João Lourenço e UNITA trocam acusações

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Os manifestantes são acusados de desobediência ao decreto presidencial 276/20, que estabeleceu medidas mais restritivas no âmbito da prevenção da Covid-19, quatro crimes de ofensas corporais voluntárias e dois crimes de danos voluntários sobre bens da Polícia Nacional.

O Presidente João Lourenço falou, na quinta-feira, pela primeira vez sobre os acontecimentos, enquanto líder do MPLA, negando a violação de direitos em Angola e dizendo que o direito à manifestação está apenas “condicionado” temporariamente por causa da pandemia.

O chefe de Estado atacou também a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), principal força da oposição, que também aderiu à marcha convocada por movimentos cívicos, considerando que o partido devia assumir “todas as consequências dos seus atos de irresponsabilidade” no possível aumento de casos de covid-19, devido ao envolvimento direto nos protestos.

O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, respondeu na sexta-feira às críticas, afirmando que João Lourenço “tem medo do povo, que vai demonstrando saber ler e posicionar-se em defesa do seu interesse”.

O julgamento dos manifestantes detidos em Luanda no passado sábado (24.10) prossegue este sábado, com a audição dos últimos 10 arguidos, tendo sido já ouvidos os restantes 93, disse à agência de notícias Lusa um advogado de defesa. Segundo Zola Bambi, a sessão “vai começar dentro de alguns minutos”, no Tribunal Provincial de Luanda.

Os advogados já tinham solicitado que o julgamento fosse realizado numa sala com melhores condições para acolher tanto os arguidos, como os seus defensores, representantes do Ministério Público e juiz, objetivo que não se concretizou até ao momento.

O julgamento dos 103 manifestantes teve início na segunda-feira e levou até ao tribunal, o palácio D. Ana Joaquina, na baixa de Luanda, centenas de apoiantes que exigiam a libertação dos seus companheiros.

No sábado passado, foram também detidos vários jornalistas, entretanto libertados, sem acusação. O tribunal foi palco de protestos e confrontos com a polícia que, na quarta-feira, proibiu a presença de manifestantes nas proximidades do local após desacatos e alguns atos de vandalismo.

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