Angola: Luanda recorre à consultorias para negociações com Pequim e o FMI

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Uma equipa de consultores está a trabalhar no orçamento de Estado, mormente, o reescalonamento das suas dívidas com o Banco de Desenvolvimento da China.

Segundo apurado, a mesma equipa já terá obtido quase um bilhão de dólares do FMI.

O site francês Africa Intelligence avança que Angola está a concentrar todas as suas energias para chegar a um entendimento com os seus dois principais credores chineses: Banco de Exportação e Importação da China (ao qual deve US $ 5 bilhões) e Banco Industrial e Comercial da China e o Banco de Desenvolvimento, ao qual deve mais de US $ 14 bilhões.

Segundo a fonte, Luanda recorreu a duas consultorias para negociações com Pequim e o FMI.

O angolano por via do Ministério das Finanças conta com a firma londrina Lion’s Head Global Partners fundada pelo ex-gerente da Goldman Sachs, Bim Hundal (falecido em 2017). Agora presidido por Christopher Egerton-Warburton e Clemens Calice, que também trabalharam para a Goldman Sachs, a empresa é também responsável por auxiliar a unidade de gestão da dívida de Angola na auditoria das dívidas do país.

Atenção especial está sendo dada às dívidas que datam da década de 1980, que foram contraídas com entidades jugoslavas, incluindo o Ministério da Defesa e a empresa de exportação de cereais Kompanija Progres.

Como a Jugoslávia deixou de existir como país na década de 1990, lidar com essas dívidas permanece altamente problemático, e os juros vêm se acumulando há 40 anos. Ao lado de Lion’s Head, que também trabalhou na RDC durante a era Joseph Kabila, outra consultoria está a assistir Luanda especificamente no desenvolvimento dos seus laços comerciais com os Estados Unidos.

A pequena empresa maltesa Erme Capital é propriedade do consultor português Pedro Nuno Gomes  Pinto Ferreira. A Erme é remunerado pelo escritório de advocacia americano Squire Patton Boggs.

A Erme foi criada especificamente para desenvolver o comércio EUA-Angola. O fundador da Erme, Pedro Ferreira, também dirige a consultoria Dominio Capital. É filho de Carlos Ferreira, há muito assessor do ex-CEO da Sonangol, Manuel Vicente.

Até 2015, Ferreira também dirigiu a E&D Financial Partners, com sede em Londres, em conjunto com outro herdeiro de uma dinastia de língua portuguesa, o banqueiro são-tomense N’Gunu Tiny.

Filho do ex-ministro das Relações Exteriores de São Tomé Carlos Tiny, este jurista  agora é parceiro do xeque dos Emirados Hamad bin Khalifa bin Mohammed al-Nahyan, um parente distante da família governante de Abu Dhabi.

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