Portugal: Angola está mesmo a mudar?

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Depois do Luanda Leaks, fomos tentar perceber o que está a mudar e o que ainda falta alterar na sociedade angolana. Presidencialismo sem mecanismos de fiscalização pode levar a abuso e corrupção. O futuro de Angola em jogo

É desejável que “JLo” [o Presidente João Lourenço] “comece a dar sinal de que o fato costurado à medida das dimensões físicas de José Eduardo dos Santos [JES] não corresponde às suas medidas e aos seus gostos”. É com estas palavras que o sociólogo angolano David Boio retrata ao Expresso as expectativas dos seus concidadãos relativamente ao atual Presidente. Assim descreve o perfil de liderança do ex-Presidente, gravado na lei nacional da última Constituição de 2010. Na sua opinião, um político que queira romper com 38 anos de passado deveria fazê-lo de modo claro, lidando com aquilo a que chama a “herança pesada” de JES, a saber, um sistema político e social com “corrupção sistémica” e uma Constituição “feita à sua imagem e semelhança”.

O perito reconhece “o comprometimento do atual Presidente em lidar com a primeira herança”, mas também em “pretender conviver com a segunda herança”. Acontece que “ambas têm um grande potencial de estarem inter-relacionadas”. O sociólogo explicita a segunda herança com a expressão “mando em tudo e em todos” e alerta para o facto de “ser consensual” que a Constituição angolana “não apresenta os desejáveis mecanismos de checks and balances”.

Cristina Peres 

Expresso 

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