África: Forças de segurança do Sudão disparam “gás lacrimogéneo” contra milhares de manifestantes

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Milhares de sudaneses responderam ao meio-dia ao apelo dos ativistas para se manifestarem “em memória dos mártires”. As manifestações no Sudão têm-se sucedido.

As forças de segurança sudanesas dispararam este domingo gás lacrimogéneo contra milhares de opositores ao domínio militar que convergiram para o palácio presidencial em Cartum, enfrentando os soldados armados e cortes nas telecomunicações.

Como tem acontecido com todas as manifestações, que se tornaram regulares desde o golpe de Estado do general Abdel Fattah al-Burhane em 25 de outubro, as autoridades tentaram mais uma vez cortar a mobilização pela raiz erguendo barreiras físicas e tecnológicas.

A cidade de Cartum foi isolada, por vários dias, por contentores colocados através de gruas nas pontes sobre o Nilo.

A internet e os telemóveis deixaram de funcionar desde a manhã deste domingo e, nas estradas principais, membros das forças de segurança empoleirados em veículos blindados, armados com metralhadoras pesadas, têm vigiado quem passa.

Mesmo assim, milhares de sudaneses responderam ao meio-dia ao apelo dos ativistas para se manifestarem “em memória dos mártires”, testemunhou a agência France-Presse.

Depois de 53 pessoas terem morrido e centenas terem ficado feridas desde o golpe do general, o país assistiu a outro pico de violência na quinta-feira, quando cinco manifestantes, exigindo o poder civil no Sudão, foram mortos a tiro em Cartum, segundo um sindicato de médicos pró-democracia.

A violência aconteceu numa zona fora do alcance de muitos, pois as forças de segurança instalaram, naquele dia, por meio de gruas, contentores que ainda hoje bloqueiam as pontes que ligam Cartum aos subúrbios.

Este domingo, milhares de sudaneses marcharam entoando gritos como “os soldados no quartel” e “o poder ao povo”, enquanto jovens em motas cruzavam a multidão, prontos para agarrar nos feridos, pois a cada mobilização as ambulâncias são bloqueadas pelas forças de segurança.

Os ativistas pedem que 2022 seja “o ano da resistência contínua”, exigindo justiça para as dezenas de manifestantes mortos desde o golpe, mas também para os mais de 250 civis mortos durante a ‘revolução’ de 2019.

Os manifestantes voltaram às ruas enfrentando as autoridades de transição chefiadas pelo general Burhane.

O agora homem forte do país estendeu o seu mandato por dois anos com o golpe de Estado, que descreve como “uma correção do curso da revolução”, depois de ter posto fim em 2019 a 30 anos de ditadura militar islâmica de Omar el-Bashir.

 

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