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Angola: João Lourenço investiga líderes do MPLA mas não generaliza combate à corrupção

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A consultora Eurasia considerou que o Presidente de Angola pretende culpar o seu antecessor pela crise económica, mantendo as investigações às principais figuras do regime, mas evitando generalizar o combate à corrupção no país.

“Apesar de as investigações à corrupção estarem a ser dirigidas contra os dirigentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), João Lourenço não deverá iniciar uma limpeza de alto a baixo relativamente a corrupção e clientelismo, para evitar perder a massa crítica de apoio no partido”, escrevem os analistas da consultora Eurasia.

Numa nota enviada aos clientes sobre a estratégia de João Lourenço, e a que a Lusa teve hoje acesso, o diretor do departamento africano da consultora, Darias Jonker, escreveu que “a campanha contra a corrupção, depois de ter afastado o antecessor, José Eduardo dos Santos, e a sua família, está agora centrada nos aliados do antigo Presidente”, incluindo alguns que mudaram o seu apoio para o atual chefe de Estado.

“A crítica social sobre o crescente nível de pequena corrupção vai continuar a fazer-se sentir, mas o Presidente Lourenço está a formatar a sua mensagem pública para sublinhar que a corrupção da elite na altura do antigo chefe de Estado é a fonte dos problemas económicos de Angola, aproveitando para sublinhar a necessidade das reformas que apresentou para colocar o país no rumo do crescimento”, comentou o analista.

“Acreditamos que João Lourenço vai continuar a tolerar pequenos incidentes de clientelismo e corrupção dos seus aliados e dos dirigentes do MPLA, mas não vai permitir que o grande nível de corrupção da era de José Eduardo dos Santos, que envolveu a saída de milhares de milhões de dólares do Estado, seja repetido”, concluiu o analista.

Num discurso sobre o Estado da Nação, em 15 de outubro, na abertura do ano parlamentar, João Lourenço abordou a luta contra a corrupção, que tem sido a bandeira do seu executivo, sublinhando a aprovação de diplomas fundamentais e os vários processos crime e cíveis em curso, com alguns já transitados em julgado.

O Presidente afirmou que o Estado angolano terá sido lesado em, pelo menos, 24 mil milhões de dólares (20,48 mil milhões de euros), valores que tinha revelado numa entrevista ao Wall Street Journal, acrescentando que este montante deve ser superior.

“Dizemos pelo menos por que à medida que se vão aprofundando as investigações de alguns processos e seus protagonistas, vão se descobrindo coisas novas, sendo muito provável que mais tarde se venham a anunciar números bem maiores do que este, que, por si só, já ultrapassam a divida de Angola com seu principal credor”, sublinhou João Lourenço, na Assembleia Nacional.

O chefe do executivo angolano estimou que foram já recuperados cerca de 4,9 mil milhões de dólares (4,18 mil milhões de euros) entre imóveis, dinheiro e outros bens.

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