Angola: O que fará João Lourenço depois de Manuel Vicente?

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Inicialmente, João Lourenço usou Manuel Vicente para se afirmar politicamente comprando uma luta diplomática com Portugal. Agora, o ex-vice-presidente é um meio para o chefe de Estado reafirmar o seu empenho na luta contra a corrupção.

A conclusão da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, relativa à avaliação que está a fazer das imunidades que protegem Manuel Vicente, na sua condição de ex-vice-presidente do país, será decisiva para perceber qual a estratégia política de curto prazo escolhida por João Lourenço.

Para já percebe-se que o Presidente angolano e o poder judicial, pressionados por lóbis diversos, alteraram a sua abordagem perante as suspeitas do alegado envolvimento de Manuel Vicente em práticas ilícitas que delapidaram os cofres públicos.

Nesta medida, trata-se de uma inversão de atitude. No início do seu mandato, João Lourenço desencadeou uma crise diplomática com Portugal, precisamente por causa de Manuel Vicente e da sua obstinação em que fosse transferido para Angola o processo aberto contra o ex-vice-presidente que decorria na justiça portuguesa.

Lourenço fez deste caso um meio para a sua afirmação política e saiu vitorioso, permitindo que se fossem solidificando as leituras de que Manuel Vicente estaria a colaborar com o atual poder.

Agora, o ex-vice-presidente ter-se-á transformado num problema para a narrativa de combate à corrupção de João Lourenço e a iniciativa da PGR sinaliza que Manuel Vicente se poderá transformar em mais um alvo da justiça.

A concretizar-se este desfecho, isso significará que as três pessoas que foram mais próximas de José Eduardo dos Santos nos últimos anos do mandato deste, os generais Leopoldino Fragoso do Nascimento (Dino), Hélder Vieira Dias (Kopelipa) e Manuel Vicente, são colocadas definitivamente em xeque. Neste particular, o general Fernando Miala, chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado, tem desempenhado um papel determinante no cerco a estas personalidades.

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