Angola: Onde Anda o Meu Partido Negociador?

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Estamos todos de acordo que a eleição de João Lourenço como presidênte da República, trouxe um novo alento ao povo angolano. Depois de longos anos de incertezas que ajudaram a contribuir para que as esperanças dos angolanos se tornam-se moribundas, fomos todos convidados a apoiar aquele, que na minha opinião não era o “salvador da pátria” mas sim, aquele que tem a missão de lançar as bases para a construção de uma Angola melhor, sem os vícios do passado que destruíram o sonho de milhares de angolanos.

Como militante do MPLA, apoiei e continuarei a apoiar o Presidente João Lourenço. Apoio e apoiarei sempre porque, apesar de alguns erros que lhes são imputados, é ele o Presidente da República e do MPLA, portanto, somos todos convidados para, de forma directa ou indirecta ajudar e aconselhar João Lourenço a traçar as melhores estratégias para dar soluções aos anseios do povo que confiou, depositando o seu voto no nosso partido. O MPLA tem a missão de tudo fazer para resolver as inquietações que imperam no domínio político, económico e social.

Apesar dos erros que são imputados a figura de João Lourenço na qualidade de Titular do Poder Executivo e atendendo ao contexto económico do país que ele herdou, considero-o um homem de muita coragem que merece o apoio de todos nós. Neste momento, todos os militantes do MPLA devem cerrar fileiras dando o apoio total e incondicional ao líder do partido. Para o bem ou para o mal é ele o líder do nosso partido. Tal como apoiamos José Eduardo dos Santos nos bons e nos maus momentos, devemos fazer o mesmo em relação ao Presidente João Lourenço.

É verdade que o nosso país passa por um momento bastante difícil, conturbado e desafiador: preço do principal produto de exportação do país em baixa no mercado internacional, elevada taxa de desemprego, a população perdeu o poder de compra, empresas a fecharem diariamente, as reservas internacionais brutas do país saíram de Janeiro a Agosto de 2020, de um total de 16,8 mil milhões de dólares para os 14,6 mil milhões, dívida pública externa indexada ao dólar a rondar cerca de 85% do PIB, as dívidas acumulam-se com a crise provocada pela pandemia da Covid-19, etc. Só com à China, a dívida do nosso país ronda os 22 mil milhões de dólares.

Diante destas dificuldades todas que o país enfrenta, obviamente que era expectável que a pressão e a contestação sobre a figura do Presidente João Lourenço acabariam por ter todos os ingredientes necessários para servirem de pretexto de possíveis convulsões socias, a semelhança daquelas que tivemos no pretérito sábado dia 24 de Outubro, com manifestação de jovens da sociedade civil e com o apoio do maior partido da oposição.

Tivemos todos a oportunidade de acompanhar os factos. Infelizmente o desfecho desta manifestação não foi a melhor para a imagem do país na arena internacional. Não foi a melhor porque as posições se extremaram sem qualquer necessidade. De forma categórica podemos todos concluir que faltou diálogo, faltou negociação, faltou sentido patriótico. Tudo que aconteceu neste vergonhoso sábado 24 de outubro de 2020 não dignifica Angola nem os angolanos de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste. Envergonhou-nos a todos.

A única imagem que Angola deve passar para o mundo, é a imagem do desenvolvimento, do progresso e do bem estar para todos os seus filhos, mas para que se consiga superar este desiderato é imperioso que em determinadas situações, haja humildade e pensar o país, pensar Angola e nos despirmos das cores partidárias. Tudo teria corrido melhor se as partes tivessem optado em priorizar uma boa negociação. As vezes é melhor uma boa negociação do que uma decisão precipitada e arriscada.

Até a conquista da Paz em 2002, o MPLA revelou-se sempre como um bom negociador. Em vários palcos negociais até ao calar definitivo das armas no nosso país com os acordos do Luena, o MPLA esteve sempre a altura dos anseios do povo angolano. Esta grande capacidade revelada pelo MPLA, levou o partido a fazer várias cedências que por norma os partidos quando estão em vantagem no campo militar não o fazem, mas o MPLA em várias circunstâncias teve que ceder para o bem do país, da nação e da reconciliação entre os irmãos angolanos. Foi assim em Bicesse, Lusaka e Luena (para não falar de Nova Yorque, Gbadolite e

Namibe). Numa altura que o actual adversário político era considerado inimigo, um alvo a eliminar. Mas para o bem dos angolanos, o MPLA não hesitou em mais uma sentar-se a mesa das negociações e o acordo foi selada com o aperto de mãos entre José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi respectivamente.

Depois do fracassado Gbadolite, Bicesse permitiu a realização das primeiras eleições no nosso país. Jonas Savimbi não aceita os resultados, volta para as matas e o país volta a mergulhar numa guerra sem fim a vista. Nesta altura, a UNITA tinha sob seu controlo cerca de 13 capitais provinciais. O MPLA, enquanto partido no poder delineou estratégias e reorganizou as suas estruturas militares, assumiu o desafio de desalojar as tropas da UNITA das áreas que ocupara e volta a ter o controlo das principais cidades do país.

Mesmo com a supremacia militar no teatro das operações militares, mais uma vez o MPLA volta a fazer cedências para o bem de Angola e dos angolanos e volta a sentar-se a mesa para assinar o protocolo de Lusaka. Surge o GURN – Governo de Unidade e Reconciliação Nacional que permitiu a “partilha” do poder com a UNITA que passa a assumir Ministérios chaves e a integrar as Forças Armadas Angolanas.

Depois de Gbadolite, Bicesse e Lusaka, surge Luena. Com a UNITA reduzida a cerca de 80% do seu poderio militar e sob os holofotes da comunidade internacional, com o rótulo de terroristas na sequência dos acontecimentos do 11 de Setembro nos Estados Unidos da América, mais uma vez para corresponder o sonho do povo angolano de viver em Paz, o MPLA parte para mais uma maratona negocial, fazendo várias cedências para permitir a reconciliação entre irmãos desavindos.

Portante, é reconhecida a grande capacidade negocial do partido no poder não por fazer cedências em vários palcos negociais, mas sim por priorizar a Paz e a união dos angolanos. Para que um processo negocial tenha um desfecho favorável, deve haver cedências das partes e o MPLA, nunca teve dificuldades em ceder para o bem da nação.

Então, se é reconhecida esta capacidade negocial ao MPLA durante todos estes anos e hoje vimos o mesmo MPLA a cair em situações que em circunstâncias normais conseguiria resolver com base na sua experiência negocial, leva-me a seguinte interrogação: Onde anda o meu partido negociador?

O Presidente João Lourenço, assumiu as rédeas do país em 2017, desde esta altura temos vindo a observar alguns avanços e recuos (que é normal para quem assumiu a liderança do país nas condições que todos sabemos). Mas é unanime afirmar que; com o partido mais coeso, JLO terá todas condições para fazer melhor. Neste momento, está a faltar maior solidariedade entre os nossos camaradas em prol do líder do partido. A imagem que estamos a transparecer é que há camaradas sentados no sofá com pipocas a espera que o homem escorregue para depois dizerem: vê no que deu…

JLO, precisa do suporte de toda máquina partidária, particularmente daqueles que constituíram o núcleo duro do partido ao longo dos anos uma vez que acumularam bastante experiência. Onde está aquele que muitos apelidaram de “Grupo do Miramar”? O grupo que jogou um papel importantíssimo para afirmação de João Lourenço como Presidente da República e do partido, sobretudo para o fim da bicefalia.

Kundy Paihama, antes de deixar o mundo dos vivos, numa das suas últimas entrevistas fez um pedido a todos os militantes do MPLA: é preciso cerrar fileiras em prol do camarada João Lourenço. Ele é o líder e temos que o ajudar.

Este pedido desta grande referência do MPLA deve ser interiorizado por todos os camaradas do partido.
Bem-haja…

Oliveira Eduardo Beny

Mestre em Governação e Gestão Pública

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