Angola: Partido de Renovação Social (PRS) quer explicações sobre “tamanha brutalidade” contra manifestantes

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O Partido de Renovação Social (PRS) exigiu hoje às autoridades angolanas explicações concretas sobre “tamanha brutalidade contra manifestantes” na província da Lunda Norte, que terminou com um saldo oficial de sete mortes.

O líder do PRS, partido com forte representação nas províncias das Lundas Norte e Sul, disse que convocou a conferência de imprensa foi “para repor a verdade sobre os factos que ocorreram no dia 30 de janeiro”, no decorrer de uma manifestação organizada pelo Protetorado Lunda Tchokwe.

Benedito Daniel referiu que, analisados os factos, ficou concluído que “Angola tem problemas de separação estrutural e de exclusão, que têm de ser resolvidos com urgência”.

“Estamos chocados e indignados com as mortes e detenções dos manifestantes, assim como com o uso excessivo de força utilizada pelas forças armadas e Polícia Nacional para repelir uma manifestação de cidadãos indefesos”, referiu Benedito Daniel.

O líder do PRS disse estar igualmente surpreendido com “a habilidade” da polícia na justificação dos “assassínios, com o massacre perpetrado”.

Para Benedito Daniel, “não é crível nem admissível” afirmar-se que um grupo de 300 elementos ia buscar uma autodeterminação numa esquadra da Polícia Nacional.

A Polícia disse, em comunicado, que a sua ação serviu para acabar com um ato de rebelião dos manifestantes, que pretendiam ocupar uma esquadra de polícia, munidos de armas-de-fogo do tipo AKM, caçadeiras, ferros, paus e outras armas brancas, bem como pequenos engenhos explosivos artesanais, com a perspetiva de aposição de uma bandeira.

A vila mineira de Cafunfo, onde ocorreu a manifestação, “é uma localidade insignificante para albergar tal desiderato, por mais analfabeto e ingénuo que fosse o cidadão munido desse sentimento não o faria”, disse o presidente do PRS.

Na nota a polícia salienta ainda que os manifestantes pretendiam igualmente com as suas armas causar baixas ao efetivo das Forças de Defesa e Segurança, tendo provocado ferimentos a dois oficiais, dos quais um da Polícia Nacional e outro das Forças Armadas Angolanas (FAA), bem como a vandalização de uma viatura estacionada no perímetro.

De acordo com o político, o que existe é um movimento sociológico de pressão, que reivindica melhores condições de vida das populações na Lunda e, particularmente, em Cafunfo, o que considerou “legítimo e legal”, negando que se trate de um movimento armado ou rebelde, do ponto de vista militar, capaz de invadir uma esquadra.

Segundo Benedito Daniel, os cidadãos organizaram uma manifestação para exigirem condições de vida adequadas e escreveram às autoridades, mas estas não responderam, “limitaram-se apenas a preparar um arsenal bélico e homens das forças armadas e Polícia de Intervenção Rápida para repelir a manifestação”.

“E fizeram-no no momento em que os manifestantes se concentravam, dispararam indiscriminadamente contra a multidão, provocando quatro mortos e 16 feridos. Arrastaram os mortos e feridos para um local de concentração onde viriam a falecer mais dois cidadãos, perfazendo seis mortos. Outro cidadão veio a sucumbir no dia seguinte já no hospital, tendo como balanço provisório sete mortos, oito feridos e vários detidos”, acrescentou.

O líder do PRS questionou “como se admite ser verdade 300 pessoas que têm supostamente o propósito de invadir uma esquadra levarem aquele tipo de armamento obsoleto exibido na comunicação social”.

Benedito Daniel apelou a que as reivindicações dos cidadãos sejam vistas com muita seriedade e que se pense em políticas públicas capazes de satisfazerem as necessidades mais prementes da população e criminalizar de forma efetiva as forças que utilizam armas para inibir, intimidar ou matar aqueles que reivindicam.

“No Cafunfo, as autoridades pisaram a Constituição e estabeleceram um estado de anarquia”, referiu Benedito Daniel, lembrando que em Angola a pena de morte é proibida.

“O que aconteceu no sábado foi uma tortura e assassínio de jovens angolanos por cidadãos angolanos que estavam em cumprimento de ordens superiores, pois a caça aos proponentes da manifestação começou dias antes. Independentemente das reivindicações dos incautos, nada justifica a sua morte, pelo contrário, o executivo precisava criar condições de dialogar com os contestatários”, disse.

A terceira maior força política da oposição angolana contestou a “cumplicidade do executivo que fica ausente, que gera impunidade, permitindo justificações habilidosas e arquitetadas para banalizar a morte de angolanos”, realçando que “é tempo de o executivo reconhecer que algo está mal e deve agir”.

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