Congresso Ordinário da UNITA: “Galo Negro” quer cantar em uníssono

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Líder cessante da UNITA apela à unidade interna na abertura do congresso do partido. Após suspensão de militantes, Isaías Samakuva diz que não é tempo para “egoísmos” ou “revanchismos”.

Isaías Samakuva diz que o XIII congresso ordinário da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) só será útil se o partido consolidar estratégias para sair da crise interna.

“Se formos capazes de construir a unidade no seio do partido, também seremos capazes de contribuir positivamente para a construção da unidade nacional” , disse o presidente cessante da UNITA durante a abertura do congresso, esta quinta-feira (02.12), em Luanda.

O evento acontece num momento de turbulência no partido do “galo negro”. Uma dezena de dirigentes que se opuseram ao congresso foram suspensos por alegada violação dos estatutos do partido. Na quarta-feira, foi anunciada a suspensão de José Pedro Kachiungo e José Eduardo, ambos membros da Comissão Política da UNITA.

Samakuva apelou aos 1.150 delegados no congresso que contribuam para a reinvenção do partido, com um sentimento de “patriotismo”.

“Para colocarmos o interesse coletivo acima das legítimas aspirações e estratégias de grupo”, afirmou, solicitando ainda um “sentido de missão para aceitarmos o facto de que só chegámos aqui porque, ao longo da nossa caminhada, conseguimos contornar e ultrapassar, unidos, os obstáculos que nos apareceram pela frente.”

No entanto, “podemos perder tudo o que conquistámos se agirmos de modo egoísta, revanchista e imediatista”, alertou Samakuva.

“Responsabilidades acrescidas”

Neste congresso, os delegados são chamados a eleger Adalberto Costa Júnior, candidato único à liderança da UNITA, destituído do cargo de presidente pelo Tribunal Constitucional por irregularidades no congresso de 2019.

Em declarações à imprensa, Costa Júnior afirmou que o seu principal objetivo é resgatar o programa anulado pelo Constitucional e “liderar essa esperança dos angolanos de viverem melhor”.

O candidato comprometeu-se a “materializar a alternância” política no país, para o “bem-estar dos angolanos”.

O politólogo angolano Olívio Nkilumbo considera que esta é a hora de UNITA mostrar que sabe “fazer diferente” e “criar uma plataforma de unidade interna que esteja à altura do desafio eleitoral dos próximos oito meses”.

Segundo Nkilumbo, “o calor da situação transforma o problema da UNITA no problema de Angola. Logo, a UNITA tem de saber que tem responsabilidades acrescidas”.

 

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