Dívidas Ocultas: Ex-diretor dos serviços secretos de Moçambique começa a ser “ouvido” em Maputo

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O antigo presidente dos serviços secretos começa a ser ouvido esta segunda-feira no caso “dívidas ocultas”, pelos crimes de peculato, associação para delinquir, branqueamento de capitais e chantagem.

O antigo diretor do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), serviços secretos moçambicanos, Gregório Leão chegou esta segunda-feira às tendas especiais em que funciona o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo para o julgamento do caso das “dívidas ocultas“, sendo o penúltimo dos 19 arguidos a ser ouvido.

No início da sessão desta segunda-feira, o Ministério Público moçambicano optou por voltar a ler a Acusação, segundo a qual, Leão beneficiou de 8,9 milhões de dólares (7,6 milhões de euros) através de depósitos feitos a favor da mulher Ângela Leão, também arguida e já interrogada no julgamento em curso.

Ao antigo diretor do SISE, 63 anos, são imputados os crimes de peculato, associação para delinquir, branqueamento de capitais e chantagem.

“O réu tinha a direção do projeto de Proteção da Zona Económica Exclusiva” que esteve na origem da contração das “dívidas ocultas”, disse o juiz da causa na leitura da pronúncia.

A audição do antigo diretor do SISE, que ocupou o cargo ao longo de 12 anos, depois de ter sido embaixador de Moçambique em Portugal, vai decorrer hoje e terça-feira.

O último arguido a ser ouvido será António Carlos do Rosário, antigo diretor da Inteligência Económica do SISE e presidente das empresas estatais beneficiárias dos empréstimos.

A justiça moçambicana acusa os 19 arguidos do processo principal das “dívidas ocultas” de se terem associado em “quadrilha” e delapidado o Estado moçambicano em 2,7 mil milhões de dólares (2,28 mil milhões de euros) – valor apontado pela procuradoria e superior aos 2,2 milhões de dólares até agora conhecidos no caso – angariados junto de bancos internacionais através de garantias prestadas pelo Governo.

As ”dívidas ocultas” foram contraídas entre 2013 e 2014 junto das filiais britânicas dos bancos de investimentos Credit Suisse e VTB pelas empresas estatais moçambicanas Proindicus, Ematum e MAM.

Os empréstimos foram secretamente avalizados pelo Governo da Frelimo, liderado pelo Presidente da República à época, Armando Guebuza, sem o conhecimento do parlamento e do Tribunal Administrativo.

 

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