Presidente da Samsung morre aos 78 anos de idade

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Acamado há seis anos na sequência de um ataque cardíaco, Lee Kun-hee, presidente da Samsung, morreu este domingo, num hospital de Seoul. Lee Kun-hee foi um dos grandes protagonistas do “milagre económico” do pós-guerra da Coreia, ao tornar ainda maior a Samsung que herdara de seu pai em 1987.

Foi Lee que transformou o então já maior grupo sul-coreano com atividade em setores que iam dos eletrodomésticos à construção civil no gigante mundial de eletrónica e telecomunicações que hoje conhecemos.

O volume de negócios da Samsung representa hoje cerca de um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) da Coreia do Sul.

A história da Samsung confunde-se com as dos “chaebol”, os conglomerados familiares que dominam a economia sul-coreana e que foram os alicerces da recuperação da economia do país após a guerra com o seu vizinho do norte (1950-53).

Uma nebulosa de interesses, compadrios, práticas monopolistas e subornos são a outra face do milagre económico sul-coreano coreano que muitas vezes acabou na justiça com presidentes do país a serem destituídos e presos. Lee Kun-hee, nem Lee Jae-yong, o filho mais velho que o substituiu em 2014, quando sofreu o ataque cardíaco depois ter vencido um cancro de pulmão, também não foram exceção aos problemas com a justiça.

“O presidente Lee morreu a 25 de outubro com a família a seu lado, incluindo o vice-presidente , Lee Jae-yong”, lê-se na nota divulgada pela Samsung este domingo.

“Foi um verdadeiro visionário que transformou a Samsung de um empresa local num líder mundial de inovação e numa potência industrial”, acrescenta o comunicado, salientando que a “sua herança será eterna”.

VISÃO E CONTROVÉRSIA

Lee Kun-hee assumiu em 1987 a liderança da Samsung que seu pai, Lee Byung-chul fundara em meados dos anos 1930, com base na exportação de peixe e frutas e cuja actividade se tinha expandidos para a eletrónica de consumo à construção civil, entre outros.

Lee decidiu rapidamente concentrar a atividade da Samsung para a tornar num conglomerado de dimensão mundial. A CNN lembra por exemplo o famoso apelo de Lee Kun-hee aos seus empregados: “mudem tudo, exceto a vossa mulher e filhos”.

Em 2014, a Samsung transformara-se já no maior fabricante mundial de telefones inteligentes e no maior fornecedor mundial de “chips” de memória que equipam hoje inclusivamente os IPhone da norte-americana Apple ou os da chinesa Huwaei. Além da eletrónica, a Samsung está presente em setores que vão dos seguros aos parques temáticos entre outros.

O sucesso nos negócios permitiu a Lee Kun-hee tornar-se, entretanto, no homem mais rico da Coreia do Sul com uma fortuna avaliada em 20,7 mil milhões de dólares (cerca de 17,5 mil milhões de euros).

Um sucesso não isento de controvérsias, já que acabou por ser condenado por duas vezes, a primeira em 1996 por corrupção e a segunda em 2008 também por corrupção e evasão fiscal. Das duas vezes evitou a prisão e ficou com penas suspensa e obteve um perdão presidencial. Um dos perdões foi-lhe atribuído pelo ex-Presidente Lee Myung-bak (2008-13), que acabou por ser condenado a 15 anos de prisão por receber 5,4 milhões de dólares do presidente da Samsung para lhe perdoar a fuga aos impostos.

Lee Jae-yong, que lidera a empresa desde a doença do pai e que agora deverá suceder-lhe na presidência da Samsung, também foi condenado em 2017 a cinco anos de prisão pelo pagamento de “luvas” a Sun Park Geun-hye, entretanto destituída da presidência do país e presa, também terá tomado o controle da empresa sem que o pai deixasse a presidência por causa da doença e também se envolveu em problemas na Justiça. O herdeiro da Samsung cumpriu apenas um ano de cadeia.

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