Angola: Oposição critica “discurso de João Lourenço” sobre Estado da Nação

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Partidos da oposição angolana criticaram duramente o último discurso de João Lourenço no Parlamento no seu primeiro mandato como PR. Para a UNITA, a governação “desastrosa” de JLo trouxe mais indicadores negativos.

Os partidos da oposição de Angola com assento na Assembleia da República reagiram à mensagem que o Presidente João Lourenço apresentou esta sexta-feira (15.10) ao país, durante o discurso sobre o Estado da Nação, que marcou a abertura do ano parlamentar.

Para o secretário do Partido de Renovação Social (PRS) no Huambo, “o Presidente não apresentou a sua visão sobre o país que queremos”. Soliya Selende disse que João Lourenço ignorou o caso da liberdade de imprensa e nem disse como pretende combater a fome, que continua a matar em Angola.

“Infelizmente, é o seu último discurso, e acreditamos que daquilo que é balanço da sua governação, não será capaz de governar outra vez, porque o MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola] está de banca rota e nós estamos a acompanhar atenciosamente”, afirmou.

“Sem novidades”

Por seu turno, o presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), Manuel Fernandes, disse que não houve novidade no discurso de João Lourenço, o que, na sua opinião, prova que os angolanos vão continuar a sofrer.

“O nosso entendimento é que a Covid-19 foi um dos elementos, mas não é a culpada de todo o mal, porque isto decorre de erros de execução e de estratégias governativas”, critica Fernandes.

Segundo a deputada da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) Navita Ngolo, a governação “desastrosa” de João Lourenço trouxe mais indicadores de empobrecimento.

Falando no Parlamento, Ngolo criticou: “Senhor Presidente João Lourenço, a sua governação desastrosa trouxe mais fome, mais mendicidade, mais roubo, mais rebeldia. Numa palavra só, podemos dizer, trouxe mais sofrimento ao povo angolano”.

Último discurso

Este foi o último discurso de João Lourenço na Assembleia Nacional no seu primeiro mandato como Presidente da República. Durante a abertura do ano parlamentar na Assembleia Nacional, o chefe de Estado angolano afirmou que o seu Executivo continua a trabalhar para a promoção da boa governação e da democracia. E deixou um aviso:

“Não há esconderijo seguro para os bens de pessoas que os adquiriram lesando profundamente o erário público. A justiça angolana tudo fará para recuperar os recursos do Estado que tenham sido desviados, sejam quais forem as figuras singulares ou coletivas envolvidas”.

Reduzir a taxa da pobreza e o desemprego nas famílias angolanas continua a ser a meta da governação, segundo João Lourenço, que reconheceu: “Temos a perfeita consciência de que como o resultado da pandemia de Covid-19, a pobreza aumentou no nosso país. Muitas empresas encerraram a sua atividade, o desemprego aumentou e muitas famílias ficaram sem rendimentos”.

Preços dos alimentos

Sobre o preço dos produtos alimentares, que continua em alta, João Lourenço afirmou que no Orçamento Geral do Estado de 2022 estará inserida a proposta de redução significativa da taxa do Imposto de Valor Acrescentado (IVA) para alguns produtos, com vista a reduzir os preços.

João Lourenço defendeu ainda que o desenvolvimento e o combate às assimetrias em Angola passam pela aceitação da divisão político-administrativa.

“O importante é reconhecermos, para além de outros aspetos, a necessidade de se alterar a atual divisão político-administrativa e se implantarem as autarquias locais sem que um empate o outro. Isto não é um projeto imediatista de curto prazo com fins eleitoralistas a ser realizada até as eleições do próximo ano. Ele se enquadra na visão de futuro deste Executivo para um horizonte temporal mais amplo”, garantiu o chefe de Estado.

João Lourenço também reconheceu o retorno do garimpo ilegal de diamantes no leste e sul do país, bem como o contrabando de combustível, cujo combate está integrado na Operação Transparência. E também manifestou preocupação com a onda crescente de criminalidade no país.

 

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