Bispo Alberto Segundo condena “vandalismo” e nega existência de alas dissidentes na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) Angola

    O Bispo Alberto Segundo, líder da IRDA (ex-IURD Angola), condenou hoje os atos de “vandalismo” na sequência da reabertura dos templos no domingo, e desvalorizou as acusações dos fiéis dissidentes, negando a existência de alas.

    “Os cultos [de domingo] correram na normalidade, tivemos cultos nas duas catedrais principais, dentro do culto não houve qualquer incidente (…). Agora, se um grupo de indivíduos quer vir fazer arruaças, são detidos pelas forças da ordem, não vejo isso como protesto, mas sim como vandalismo, porque ninguém vai a um culto perturbar e sai impune”, disse hoje Alberto Segunda.

    Em declarações à Lusa, o atual líder da Igreja do Reino de Deus em Angola (IRDA), nova denominação da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), contestada por fiéis dissidentes, da denominada ala angolana dita “reformista”, referiu que a sua liderança foi “legitimada em assembleia de fiéis”.

    Alberto Segunda lembrou que o acordo de conciliação entre as partes desavindas – ala brasileira liderada por si e ala angolana, presidida pelo bispo Valente Bizerra Luís – foi mediado pelo Estado angolano e assinado pelas duas partes.

    “Nós levamos o povo às urnas para determinar quem seria o líder da IURD em Angola, no dia 14 de janeiro passado, dentro do acordo de conciliação”, recordou, acrescentando que “o outro lado não participou por entender que não teria de ser o povo a escolher o líder”.

    O responsável afirmou que a sua liderança foi legitimada por unanimidade numa assembleia onde foram habilitados para votar 44 mil fiéis e cujos resultados foram reconhecidos pelo Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos.

    Num decreto executivo datado de 15 de março, o Governo angolano reconheceu a nova denominação, com a IURD Angola a dar lugar à Igreja do Reino de Deus em Angola (IRDA), determinando também a transferência do património para a IRDA.

    O documento é contestado pelos dissidentes por alegados “vícios” em favor de Alberto Segunda.

    O bispo Segunda desvalorizou os alegados “vícios”, considerando que “toda a pessoa que perde uma eleição tem de criar narrativas para poder justificar o fracasso que teve”.

    “Mas eles não explicam que quando foram chamados a participar da assembleia negaram-se a participar, não explicam que assinaram um acordo e aceitaram todos os tramites propostos pelo Estado”, frisou.

    “Olhando na vertente espiritual podemos até ser irmãos que carregamos a mesma nomenclatura, mas não a mesma fé, porque a fé da palavra de Deus não nos leva a fazer arruaças, não nos leva a fazer confusão, protestos do tipo que temos visto nos últimos dias”, apontou o religioso.

    A ala angolana da IURD, que contesta a nova denominação e liderança da igreja, denunciou na segunda-feira a detenção “ilegal” de dezenas de pastores e obreiros após confrontos com fiéis da ala brasileira, quando os templos reabriram, no domingo.

    Alberto Segunda rejeitou igualmente a existência de alas no seio da denominação religiosa garantindo que “só existe a IRDA”.

    “[A] IURD já não existe, são apenas fiéis dissidentes, não temos alas”, declarou.

    Questionado se a conciliação entre as partes estava cada vez mais distante, o bispo angolano respondeu: “Graças a Deus o povo está conciliado, o povo está feliz, alegre, muito grato por verem os templos abertos”.

    “E as pessoas têm de se contentar com os resultados administrativos do Estado e dos tribunais, porque a Igreja foi inocentada de todos os crimes”, concluiu.

    A Lusa contactou igualmente o líder da denominada ala reformista, Bizerra Luís, que remeteu uma declaração para mais tarde.

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