Angola: Polícia ocupa ruas de Benguela e Lobito para impedir manifestações

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Cenário é idêntido noutras cidades angolanas

Vendedores ambulantes e taxistas abandonaram, a uma velocidade de cruzeiro, o seu posto de trabalho na praça do mercado Heróis de Moncada, na cidade angolana de Benguela, quando centenas de agentes da Polícia Nacional (PN) tomavam posições para impedir a manifestação contra o alto nível de desemprego e pela marcação das eleições autárquicas em 2021.

Com meios entregues pelo Ministério do Interior (MININT) ao recém-inaugurado Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), que vai estar a vigiar ajuntamentos com mais de cinco pessoas, conforme o ministro Eugénio Laborinho, a VOA confirmou que as forças de segurança deixaram o espaço praticamente às moscas, um cenário nunca antes visto, mesmo em dia de feriado.

No Lobito, de onde, como previsto, deve sair parte considerável dos promotores da marcha, quase não existiam táxis, segundo relatos recolhidos pela VOA.

A praça dos taxistas “foi tomada” por um forte aparato policial, indicou o activista Gabriel Kundy, presidente da Organização de Estudantes de Direito para a Cidadania, um dos promotores dos protestos.

“Esta movimentação de polícias demonstra que o regime percebeu que a juventude quer mudança, está farta da má governação”, disse Kundy, garantindo que “a manifestação vai sair, ainda que nos levem à cadeia”.

A PN estava posicionada no conhecido “jardim milionário”, a escassos metros do secretariadoprovincial da UNITA, partido que aproveitou o rumo dos acontecimentos para fazer um pronunciamento crítico.

O seu secretário, Abílio Kaunda, afirmou que a demonstração de força, com cidadãos em fuga, representa uma realidade desajustada a um país em festa pelos 45 anos deindependência.

“A independência chegou mas não há liberdade, as autoridades não olham para os direitos dos cidadãos. Tudo isto acontece em várias cidades do país”, criticou Kaunda.

Por seu lado, o director do Gabinete do governador de Benguela, João Francisco Júnior, lamentou, ontem o facto de os activistas não terem recebido a resposta ao anúncio da manifestação, mas não avançou o teor da carta.

“Só entregamos , até por uma questão de princípio, aos organizadores do acto”, concluiu Júnior.

Estão previstas para hoje manifestações em pelo menos sete províncias angolanas, mas a PN tem a missão de impedir os protestos, devido, segundo as autoridades, ao decreto presidencial de 23 de outubro que, no âmbito do estado de calamidade em vigor, não permite aglomerações em público de mais de cinco pessoas.

Texto da VOA

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