A Política como relação Amigo-Inimigo: “Porquê que alguns angolanos se emocionam com pequenos detalhes”?

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Há uma Ciência Política em Angola que não se cansará de fortalecer a cultura política dos angolanos. Porém, NORBERT BOBBIO com as emprestadas ideias de CARL SCHMITT E J. FREUD, na sua obra sobre <<Teoria Geral da Política>>, sincreticamente, elucidá-nos sobre a supra temática.
 
Deste modo, com este tema levantado para reflexão, pretendemos despertar alguns angolanos de modo que não se emocionem com pequenos detalhes na política angolana, porque em política todo detalhe é um facto politologicamente explicável.
 
Ora, numa sociedade política, enquanto houver relações de poder, haverá sempre conflitualidade humana, NORBERTO BOBBIO (2000:170), interpretando aqueles teóricos da teoria da RELAÇÃO AMIGO-INIMIGO, sustenta que “o campo de origem e aplicação da política seria o antagonismo, e a sua função consistiria na actividade de agregar e defender os amigos e de desagregar e combater os inimigos”.
 
Assim, a luz desta máxima bobbiana, é preferível entendermos que conforme o Sistema Político Angolano anda tenso e crítico, não é possível haver relações agonísticas entre o Governo (MPLA) e a oposição (UNITA, PRS, FNLA, PH), somente tem de ser antagonística e negociável.
 
É constatável, que política separa a coletividade em amigos e inimigos (Freud apud Bobbio, 2000). Pois, são as lutas de interesse que geram conflitos antagonísticos e esse comportamento torna-se político.
 
O facto de vermos o Presidente João Lourenço a dialogar com a oposição não significa que há uma plena relação de amigo-amigo. Em política há meios e fins, “e quanto mais uma oposição se desenvolve em direcção à distinção amigo-inimigo, mais se torna política” (Norber Bobbio, 2000).
 
PORTANTO, resta-nos conceber que, tal como existe o bom e o mau para MORAL, o belo e o feio para ESTÉTICA, há o amigo e o inimigo para POLÍTICA. Deste modo, por mais que haja evidências contraditórias no interesse do poder, para o bem do povo, os inimigos antagónicos devem negociar, e definirem estratégias para concretização da vontade geral. A união ou negociação para concretização da vontade geral não suprime a relação amigo-inimigo, que caracteriza em parte a essência da política.
 
Há uma temática muito importante na CIÊNCIA POLÍTICA, que é a teoria da TOMA DE DECISÃO… “Alguns angolanos devem saber, que em política o assunto mais difícil é tomar decisão, muitos querem ver o Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior a tomar decisões de riscos, sem saberem que o mesmo está em África e diante de um governo conservado pelas forças militares”. A oposição está tomar uma boa decisão em negociar com o Presidente João Lourenço. Pois, a insensibilidade dos anteriores partidos opositores, nalgumas vezes, fez o MPLA não suceder, verificamos que a luta de capturar o poder esteve mais acima dos interesses políticos partidário, do que se interessarem em negociar ou aprovarem leis na base do consenso para o sucesso das POLICYS e Desenvolvimento sustentável do País.
 
Assim, a conclusão deste poste justifica que a emoção postulada é o sentimento determinado pelas reações. Um bom cidadão político não se emociona para se escandalizar, porém, se emociona com noção de que o detalhe ocorrido é um fenómeno possível, porque em política tudo é possível, e cuja possiblidade é sempre uma realidade inevitável.
 
 
DORIVALDO MANUEL “Dorival”, Cientista Político.
 
 
 
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