Angola: Eldeltrudes Costa, Pedro Sebastião e Francisco Furtado de uma “estrutura apodrecida” – Nuno Álvaro Dala

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Hoje acordei com o objectivo de escrever sobre um acontecimento importante na História de Angola. Sim, hoje, segunda-feira, 31 de Maio de 1991, cumprem-se 30 anos da celebração dos Acordos de Bicesse, o instrumento político-jurídico através do qual foi viabilizada a transição da República Popular de Angola (de matriz comunista) para a República de Angola (Estado democrático de direito).
 
Entretanto, quando me sentei ao computador para redigir sobre o trigésimo aniversário de Bicesse, eis que tomei conhecimento da nomeação do general Francisco Pereira Furtado para o cargo de Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, em substituição do general Pedro Sebastião, exonerado no seguimento do furacão Lussati. Então decidi escrever a respeito deste facto.
 
O caso da nomeação do General Francisco Furtado é um de muitos que demonstram, para além qualquer dúvida razoável, que o Presidente da República chegou ao crisol da falta de opções, porquanto o novo Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República faz parte de um grupo de pessoas que contribuíram substancialmente para a transformação de Angola num imenso Absurdistão: os generais empresários cuja fortuna resultou do saque desbragado do dinheiro de todos os Angolanos e Angolanas.
 
Outro sinal que ilustra a gravidade do problema reside neste detalhe: Francisco Furtado, de origem carbo-verdiana, foi prospectivo concorrente às eleições presidenciais em Cabo Verde há alguns anos, facto que indica como um país nas mãos de indivíduos de origem estrangeira não avança porque serve apenas como fonte de enriquecimento para que eles invistam nos seus países de origem. O general possui muitos investimentos em Cabo Verde.
 
João Lourenço está a chegar ao mesmo ponto circular em que partiu em 2017, ou seja, transcorridos 4 anos, a sua infeliz chefia do Estado e do Governo é adornada por este facto angustiante: (já) não há pessoas competentes e simultaneamente decentes no MPLA. O Presidente da República não tem opção senão a de trabalhar com gente corrupta até ao tutano.
 
Ademais, “a exoneração do general Pedro Sebastião leva a questionar por que o Presidente da República não exonera outra figura corrupta que, qual macaco, tem feito caretas aos ingénuos que ainda acreditam que Angola é viável com o MPLA: Eldeltrudes Costa, o chefe do Gabinete do Presidente da República”.
 
Ora, sendo consensual que a manutenção de tal figura tóxica no cargo põe em xeque e genuinidade e seriedade da agenda de combate à corrupção, também é inegável que, mesmo que Edeltrudes Costa fosse exonerado hoje, o seu substituto não seria melhor que ele, e a razão é simples: no MPLA não existem pessoas com probidade. É um partido de gatunos.
 
Ao cabo de 45 anos no poder – nos quais conseguiu fazer de Angola um projecto falhado -, o regime do MPLA está mais do que apodrecido.
 
Faço questão de reiterar o que digo sempre: enquanto o MPLA estiver no poder, Angola não irá a lado nenhum.
 
Nuno Álvaro Dala

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