Angola: “JL e a bipolaridade de Paulo de Almeida” – Graça Campos

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Todos os dicionários da língua portuguesa definem a bipolaridade como “existência de dois focos de força em oposição, de duas características opostas” ou “propriedade que alguns sistemas físicos têm de apresentar dois polos contrários”.

Por conseguinte, uma pessoa bipolar é aquela que tem “duas caras ”que se repelem mutuamente”; é um indivíduo portador de “elementos que se contrapõem ou que são de natureza ou características completamente opostas”.

No Comandante Geral da Polícia encontramos todos os elementos que caracterizam a bipolaridade.

O Paulo de Almeida, que frequenta, com alguma regularidade, os cultos dominicais na central da Igreja Metodista Unida não tem nenhum traço comum com o Comandante Geral da Polícia.

O Paulo de Almeida que frequenta a IMUA é uma pessoa afável, calma, muito educada, de fala mansa, humilde, enfim, é aquilo que os ingleses resumem no substantivo masculino gentleman.

Quando enverga a farda e nas vestes de Comandante Geral da Polícia, Paulo de Almeida é um indivíduo possesso, truculento, agressivo, muito próximo de uma figura vampiresca. Dentro da farda, Paulo de Almeida prega o discurso do ódio, da extrema violência (como quando, por exemplo, diz que “quem vier com catanas, nós vamos responder com pistolas, quem vier com facas e pistolas nós vamos responder com AKM-47”).

Essa declaração, que no fundo é carta branca aos agentes da Polícia para dizimarem a torto e a direito cidadãos deste país, jamais seria proferida pelo Paulo de Almeida que frequenta os cultos da na Metodista. Esse Paulo de Almeida que promete usar mísseis intercontinentais (até para susto da comunidade internacional) para abafar qualquer contestação ao Executivo não é aquele que tem ido à Igreja ouvir a palavra de Deus.

Quando fardado, Paulo de Almeida olha para os cidadãos deste país como mosquitos que devem ser dizimados inclementemente.

Ao invés de, com o seu silêncio, encorajar o lado mais negro da bipolaridade de Paulo de Almeida, João Lourenço deveria ajudá-lo. A bipolaridade é uma doença.

Nos livros da ciência médica diz-se que “o tratamento adequado pode ajudar muitas pessoas – mesmo aquelas com as formas mais graves de bipolaridade – a obter um melhor controle de suas mudanças de humor e outros sintomas bipolares. Um plano de tratamento eficaz geralmente inclui uma combinação de medicação e psicoterapia. O transtorno bipolar é uma doença vitalícia. Episódios de mania e depressão costumam voltar ao longo do tempo. Entre os episódios, muitas pessoas com transtorno bipolar podem se ver livres de mudanças de humor, mas algumas pessoas podem ter sintomas persistentes. A longo prazo, o tratamento contínuo ajuda a controlar estes sintomas”.

Enquanto o Presidente da República aplaude, silenciosamente, o seu comportamento, Paulo de Almeida está a ser consumido por uma doença muito grave. Aparentemente, João Lourenço aplaude o infortúnio de um colega de caserna.

Uma nota final: a sintonia entre o Comandante Geral da Polícia e o Ministro do Interior significa que houve concertação prévia à qual o Presidente da República não ficou certamente de fora.

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