Angola: Estará o MPLA a seguir os passos da tirania colonial portuguesa? – Mihaela Webba

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Na luta multiforme dos angolanos pela cidadania, o Estado colonial português procurou sempre subestimar o movimento reivindicativo da sociedade civil. Dava mais importância aos movimentos armados de libertação, os “terroristas”. Ao invés de julgar as reivindicações civis pelo seu próprio mérito, os defensores do regime colonial preferiam julgá-las como pró terroristas, associando-as forçosamente aos combatentes de armas na mão.

O Processo dos 103

Estará o MPLA a seguir os passos da tirania colonial portuguesa?

A sociedade civil angolana já conquistou o seu próprio espaço na luta pela cidadania igual para todos. O dia 24 de Outubro ficará na história de Angola como o dia da primeira manifestação contra as políticas erradas do Presidente João Lourenço. E o dia 26 de Outubro ficará na história como o dia do julgamento dos 103.

O Partido estado deve ajustar a sua conduta ao Estado de direito. Todos os cidadãos são iguais perante a Constituição e a lei. Ninguém pode ser discriminado só por pertencer ao MPLA ou à UNITA. Ninguém deve ser julgado por exercer direitos e liberdades fundamentais, seja por criticar o governo ou marchar em protesto.

Nenhum jornalista deve ser impedido de cobrir um evento democrático. Há pandemia sim senhor, mas a democracia não está de quarentena.

“O processo dos 50” levou a julgamento cerca de 50 activistas, na sua maioria jovens, que desafiaram a tirania para reclamar os seus direitos de cidadania. Hoje, no mesmo país, “o processo dos 103” levou a julgamento o dobro daquele número, todos eles jovens, que desafiaram a tirania para reclamar os seus direitos de cidadania.

Desta vez, há treze mulheres entre os acusados e os actos de
tirania do governo “camarada” foram mais brutais, mais violentos e mais ofensivos à dignidade da pessoa humana do que os actos do governo colonial.

No processo dos 50, os direitos reclamados pelos acusados não estavam constitucionalmente protegidos. No processo dos 103, os direitos e liberdades reclamados pelos acusados estão constitucionalmente protegidos e não podem, por isso, ser limitados pela Cidade Alta.

Naturalmente, a Cidade Alta está preocupada com a vida e a saúde dos 103 e não quis que a pandemia lhes pegasse. Para “protegê-los”, lançou gaz lacrimogéneo contra eles, colocou cães e cavalos para atacá-los, e bateu-lhes com porretes, chicotes de metal e até disparou balas verdadeiras, matando duas pessoas e não assumindo essas duas mortes.

Naturalmente, foi diligente em “eliminar” as provas.

A “protecção” da polícia foi tão brutal que abriu feridas profundas na cabeça de alguns e deixou outros estatelados no chão, desmaiados. Crianças nas redondezas também tiveram de inalar o gaz tóxico da protecção policial.

Porém, a luta pela cidadania igual em Angola vai prosseguir.

Mihaela Webba

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